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Alexia Paiva brilha no jiu-jitsu brasileiro

Campeã da Europa é… angolana



Quase a completar 16 anos, Alexia Paiva brilhou nos tapetes da Europa: foi campeã de jiu-jitsu e já pensa noutros voos e noutras faixas. Estudante de ciências exactas, sonha ser psicóloga, considera-se boa menina e tem como meta obter um título mundial.

A “suavidade da arte” foi um dos motivos que impulsionou a paixão de Alexia Paiva a praticar jiu-jitsu brasileiro. A miúda, que completa 16 anos em Maio, tornou-se numa atleta com vários pergaminhos e forte candidata a vencer uma medalha de ouro no mundial que em princípio vai ter lugar em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, em Abril. Tudo começou em 2013 quando André Victor, um pastor da Igreja Evangélica, incentivou Alexia Paiva a inscrever-se na Academia Gracie Barra por se considerar modalidade de auto-ajuda na concentração psicológica e moral. Dali nunca mais parou e vem somando conquistas.
Obter o título de campeã mundial na faixa preta em absoluto é a sua grande meta, após em Janeiro ter conquistado a medalha de ouro no Campeonato da Europa de jiu-jitsu em juvenis que se realizou em Lisboa, Portugal. Para ela, a carreira “tem sido maravilhosa”, mesmo com os treinos a aumentarem de intensidade devido às competições que se aproximam. Sem hesitar, garante estar “preparada” porque confia nos seus “bons treinadores”. E nem se perturba por ter apenas 1,55 centímetros. Lá em casa, ainda tem a irmã, a Ariel, de 14 anos, que também anda pelo jiu-jitsu. Alexia vê na cassule uma “grande atleta”, apesar de ter tido “alguma falta de sorte” nas competições internas e internacionais. No ano passado, Ariel obteve a medalha de bronze, por sinal a única, no mundial de Abu Dhabi. Isso dá-lhe confiança para acreditar que está no “bom caminho” e confia que o futuro lhe reserva muitas conquistas.
Alexia Paiva deixa um conselho às meninas que desejam abraçar o jiu-jitsu brasileiro: procurar as academias, acreditar que podem ser boas atletas e nunca desistir mesmo com as derrotas.

SER PSICOLOGA

Ainda muito jovem, Alexia estuda na 11.ª classe de Ciências Exactas e sonha ser psicóloga. Entende que, com esta formação, vai conseguir “interagir para ajudar o próximo e ultrapassar os problemas, uma vez que a sociedade necessita” destes profissionais. Considera-se uma “boa menina, regrada, apesar de exceder alguns limites”. Tem nos pais os grandes conselheiros e sem esquecer a irmã mais nova como a melhor amiga. Gaba-se ainda de arrumar bem a casa e cozinhar bem bitoque, bacalhau, lasanhas, sobremesas e bolos. Não sabe fazer funje, mas deseja aprender.
Ariel Paiva começa assim a seguir as pegadas da irmã mais velha. Treina na mesma academia, a Gracie Barra, e mostra-se feliz com o sucesso da irmã e até a elogia por ser “uma pessoa especial”. Com o sucesso do lado, promete também dedicar-se ainda mais para obter boas medalhas e também quer ser campeã mundial e conquistar a faixa preta.
Higildo Paiva, o pai, é naturalmente um homem feliz com o sucesso desportivo e académico das filhas. Antigo futebolista do 1.º de Agosto, chama a atenção para as autoridades governamentais que podem acarinhar mais a modalidade devido a essas conquistas nos campeonatos europeus e mundiais. Chama ao jiu-jitsu brasileiro a “vitória da inteligência sobre a força bruta”.
Apesar deste sucesso internacional, as viagens das atletas, para participar nas competições, têm sido pagas pelos pais. Higildo Paiva sublinha que todos os custos das viagens para as competições internacionais são custeados pelos pais, daí a necessidade de uma intervenção do Estado.

Vitórias com Dedicação

No ano passado, Alexia Paiva conquistou a medalha de ouro no campeonato do mundo de jiu-jitsu. A atleta, de 66,5 quilos, venceu HajerSaeedAl, do Koweit na abertura da competição realizada em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, sendo a única menina a conseguir uma medalha para Angola. Com mais de 12 medalhas, divididas em ouro, prata e bronze, Alexia Paiva não tem dúvidas de que o segredo do sucesso mora na fé, dedicação aos treinos, respeito pelos colegas e adversárias e muita concentração. Nasceu numa família de desportistas e foi praticante de ténis de campo durante sete anos.

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