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A 4 de Abril

A paz celebrada todos os anos

Por Osvaldo Quilo

A assinatura dos acordos de paz celebra-se na próxima segunda-feira. Angola já tem 14 anos de paz efectiva, mas ainda divide opiniões. O MPLA tem destacado os “ganhos da paz” em vários domínios. A oposição argumenta que “ainda falta muito por fazer”.

4 de Abril, certamente, não vai sair na mente dos angolanos, por marcar oum dos momentos da sua história, depois da independência em 1975. A cerimónia, que decorreu no Palácio dos Congressos (Assembleia Nacional), marcou o fim da guerra em Angola, que só foi possível depois da morte, no Moxico, do líder da UNITA, Jonas Savimbi depois dos acordos fracassados de Alvor e Lusaka.
O acordo de paz nasce de um memorando de entendimento entre as forças governamentais e a UNITA, assinado ainda no Moxico, dias depois da morte do histórico líder da UNITA..
Volvidos 14 anos, os benefícios da paz recolhem a unanimidade de todos os partidos, mas há divergências sobre os verdadeiros ganhos., O MPLA destaca a construção de infra-estruturas como hospitais, escolas, habitações e estradas. Mas a oposição considera-as “insuficientes”.
Depois de ter assinado o acordo de paz em 2002 a UNITA, através do vice-presidente, Raul Danda, afirma sentir que “ainda não se vive totalmente” em paz em Angola, face aos vários problemas que enfermam a sociedade.
Para ele, “os angolanos trabalharam muito para alcançar a paz”, por isso, garante que “ninguém pensa pegar em armas e voltar para as matas”. No entanto, Raul Danda não acredita na efectividade da paz porque falta quase tudo, como “médicos e professores” e isso, aliado a “uma desunião são desestabilizadores”. “Fala-se de paz efectiva em Angola quando em Cabinda a guerra. É preciso definir se Cabinda faz ou não parte do país”.

A “paz social”

Leonel Gomes, da coligação CASA-CE, considera a paz “um dos maiores ganhos do povo angolano”, apesar de “faltar a paz social, o calar das armas trouxe bem-estar e convivência harmoniosa”. Para o dirigente da CASA-CE é “preciso trabalhar mais” para se resolver todos os problemas. “Não há medicamentos nem médicos, falta pão na mesa de muitas famílias. O Governo não consegue dar respostas a nada, já mostrou não ter capacidade de equacionar os problemas de índole social”.
“A paz é um processo, não se consolida apenas com o calar das armas”, resume Jovete de Sousa, responsável do braço juvenil da FNLA que diz ser “necessário” pôr os interesses da nação como “epicentro”, sem fazer as distinções da cor partidária. .

Enfim, a paz

A 4 de Abril de 2002, Angola enterrava definitavemente os ‘tambores’ da guerra. Meses antes, a 22 de Fevereiro, Jonas Savimbi morria em combate e, dias depois, toda a UNITA se rendia, aceitando um memorando de entendimento assinado no Moxico.
Para trás, ficavam longos anos de guerra que, de facto, começaram em 1961. Primeiro, na década de 1960 e 1970, contra o regime colonial. Estiveram envolvidos a União dos Povos de Angola (UPA) que depois deu lugar à Frente de Libertação Nacional de Angola (FNLA), o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). A seguir à independência a 11 de Novembro, iniciou-se uma guerra civil que, de acordo com dados oficiais, provocou a morte a mais de 500 mil pessoas e fez cerca de cinco milhões de refugiados. Pelo meio, houve outros acordos de paz que nunca foram cumpridos assinados sempre fora de Angola: Alvor e Bicesse, em Portugal, Gbadolite, no antigo Zaire, e Lusaka, na Zâmbia. Em 1992, houve eleições, as primeiras livres em Angola, mas que acabaram por não ser reconhecidas pela UNITA e levaram o país de novo para uma guerra.
Finalmente, a 4 de Abril foi assinado o memorando. Do lado das forças governamentais, rubricou Armando da Cruz Neto, na altura, chefe de Estado-Maior das Forças Armadas de Angola (FAA), por parte das tropas governamentais, do outro, Abreu ‘Kamorteiro’, que liderava o exército da UNITA.

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