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Mais difícil adquirir automóveis com empréstimos

Bancos travam crédito automóvel

Por Osvaldo Quilo 


Quem pede dinheiro a um banco para comprar uma viatura tem tido dificuldades. Face à crise, alguns bancos e concessionárias estão a deixar de dar créditos. O banco suporta 90 por cento do valor total da viatura, mas aplica taxas de juros que encarecem o carro, quase para o dobro.

Uma opção para quem quer carro próprio é o crédito à banca ou à concessionária. Uma prática que, aos poucos, se vai perdendo, porque as exigências, tanto dos bancos como das concessionárias afugentam os interessados. Com a crise financeira, tudo se tornou mais difícil porque vários bancos, até os mais renomados, deixaram de dar crédito automóvel: no caso, os bancos de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Angolano de Investimento (BAI), bem como as concessionárias Consórcio Mwangolé, as Organizações Chana e Santos Bikuku. Este último deixou de funcionar em Luanda.
No ano passado, o presidente do Conselho de Administração do BPC, instituição do Estado, Paixão Júnior anunciou a suspensão temporária dos serviços de crédito a particulares e a empresas e que até agora prevalece: não há empréstimos para ninguém, quem quiser deve aguardar. O BAI também não está a conceder créditos, cancelou há um ano. A informação disponível, nos balcões, é que face a actual conjuntura económica a instituição decidiu fazer um reajuste no sistema de empréstimos, mas poderá retomar em breve.
Em Angola, existem várias empresas, nacionais e estrangeiras, viradas para a venda de viaturas, as chamadas concessionárias. Umas colaboram com os bancos, sobretudo na concepção de créditos, enquanto outras se limitam em fazer acordos com o cliente, sem recorrer ao banco. Face à crise, muitas destas empresas também já não estão a dar créditos automóvel. São os casos do Consórcio Nacional Mwangolê (uma sociedade de direito angolano em parceria com empresários brasileiros) e as Organizações Chanas, ambas vocacionadas para facilitar as compras. As duas deixaram de fornecer viaturas por via de empréstimos.

Há quem empreste, mas paga-se mais

Apesar dos ‘recuos’ de alguns bancos, ainda é possível pedir um empréstimo a um banco para a compra de automóvel. O BFA, o banco Millennium Angola, o BIC, a Caixa Angola e o Standardbank mantêm firme a disponibilidade de crédito automóvel, desde que seja numa concessionária devidamente reconhecida pelo banco.
Há ligeiras diferenças entre as taxas de juros cobradas. Por exemplo, o BFA cobra 12 por cento e o BIC, 17 por cento. Quem tem um salário/base de 100.000 kwanzas no BIC e pretende uma viatura de dois milhões de kwanzas, paga na entrada 10 por cento. O banco empresta os restantes 90 por cento do valor total. O reembolso mensal é de cerca de 75 mil kwanzas, que devem ser pagos em três anos. No final de tudo, a viatura fica em dois milhões e 700 mil kwanzas.
Já no BFA, com o mesmo salário, e para um valor da viatura de um milhão e oitocentos mil kwanzas, o reembolso mensal é mais reduzido: 40 mil kwanzas, que terá de ser pago em cinco anos. O cliente entra com 10 por cento e o banco com os restantes 90 por cento. No final, o carro fica em dois milhões e 400 mil kwanzas, quase o dobro do empréstimo.

Como chegar ao empréstimo

O interessado deve ter uma conta e o salário domiciliado no banco em que é solicitado. E tem de apresentar um conjunto de documentos:
•Factura pró-forma da viatura (adquirida numa concessionária bem identificada)
•Carta dirigida ao banco (em que consta o valor desejado e o período de reembolso)
•Declaração de serviço (regime contratual, função que exerce e salário-base)
•Cópia do B.I e do cartão de contribuinte
•Três últimos recibos de salário
•Um avalista, para alguns bancos, que deve, por norma, ser cliente do mesmo banco.
Depois de reunir a documentação toda, o requerente deve dirigir-se a uma dependência e fazer a entrega.
O banco, por sua vez, analisa e determina a entrega ou não do empréstimo.

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