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Oposição e partido governante com ideias diferentes

Parlamento discute a crise

Por Adriano Adão  /  Foto Mário Mujetes

Os partidos com assento parlamentar debateram, pela primeira vez, soluções para a saída da crise. Num debate acalorado, a oposição culpou o MPLA de estar a elaborar “más políticas económicas” e com fins eleitoralistas. O partido governante voltou a defender que “a diversificação é a principal solução” para acabar com a recessão económica.

Depois de o Governo ter apresentado o Plano Estratégico para o Combate à Crise Económica, a Assembleia Nacional levou, ao debate mensal, propostas para se acabar com a recessão financeira, num debate proposto pelo grupo parlamentar da CASA-CE.
O director do departamento para a política económica e social do Comité Central do MPLA, Bernardino Machado, defendeu uma “melhoria” na gestão das finanças públicas e o reforço da segurança e a ordem interna. “Precisamos ajustar os programas e planos para enfrentar a crise, intensificando a intervenção na agricultura, pescas, turismo, indústria da madeira, alimentar e aumentar as exportações e reduzir as importações.”
Para o político, uma grande aposta deve ser feita também na “formação de quadros” com capacidade para a condução e gestão do sistema produtivo e da economia nacional.
A coligação liderada por Abel Chivukuvuku defendeu “a despartidarização das instituições públicas, a descentralização, a criação das autarquias e o fim da corrupção, nepotismo e clientelismo na Função Pública”, bem como adopção de uma governação patriótica, séria e honesta.
O deputado Lindo Tito acusou o MPLA de ter feito “más opções” de investimento, cujos “fins foram apenas eleitorais”. Como exemplo, citou a falência de vários projectos económicos: “Criaram o BUÉ, mas aqueles que receberam o dinheiro não estão a pagar ao Estado? Fizeram alguma coisa? São favores políticos que foram feitos. O Papagro também faliu, mas não houve responsabilização”.
O MPLA voltou a apontar a diversificação económica, como sendo a “velha máxima” para a solução da crise. Para a deputada do MPLA, Luiza Damião, todos os actores sociais devem “redobrar esforços para resolver” o problema. “As dificuldades circunstanciais de hoje devem servir de alicerces para tornar a nossa economia sustentável.”
Lindo Tito, da CASA-CE, disse ainda que houve governadores que “pediram receitas” para a construção de escolas e hospitais, mas “tais obras nunca foram feitas” e que esses responsáveis “nem foram responsabilizados”.
A bancada parlamentar da UNITA defendeu uma aposta na agricultura para o “aumento da produção interna e o avanço com o processo de industrialização, com vista a criar empregos”.
Em nome do ‘Galo Negro’, Victorino Nhany afirmou que a “falta de transparência” na gestão de fundos públicos e os “gastos avultados” feitos por governantes provocaram a actual situação que o país enfrenta.
“As soluções passam por medidas de emergência. É preciso que se faça a reforma agrária, sem se olhar para as cores das camisolas. É também necessário que se combata a corrupção”, concluiu.

Dura visão católica

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), órgão ligado à Igreja Católica, tornou público, recentemente, um documento, denominado ‘Nota Pastoral’, que crítica o Governo de Angola.
Os bispos da CEAST afirmam que a crise económica e financeira “não foi causada apenas pela queda do preço do petróleo”, mas pela “falta de ética, má gestão do erário e corrupção generalizada” no país.
O comunicado dos prelados realçou ainda que a crise se deve, igualmente, à “mentalidade de compadrio ao nepotismo, em acúmulo à discriminação derivada da partidarização da Função Pública, que sacrifica a competência e o mérito”.
As duras críticas da Igreja serviram de base dos argumentos usados na Assembleia Nacional pelo PRS. Para o deputado Bendito Daniel, esta situação está a transformar-se em “pobreza extrema para a população”. “Há vários aspectos desta nota pastoral que devem ser levados em conta”, sugeriu o deputado do PRS.

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