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Falta dinheiro para a conservação das vias

Buracos nas estradas isolam províncias



Dos mais de 51 mil quilómetros de estrada, apenas 5.349 foram asfaltados nos últimos 11 anos, mas muitos ainda com buracos. Até 2015, previa-se a reabilitação de 711 quilómetros, dos quatro mil previstos. Há responsáveis provinciais com receio de ficarem com as localidades isoladas.

Quem circula nas estradas nacionais vislumbra uma paisagem que contrasta com o mau estado das vias, com zonas com enormes buracos e ravinas. Dos 51.429 quilómetros de estrada, apenas 5.349 foram asfaltados nos últimos 11 anos, mas muitos ainda apresentam buracos. Até ao ano passado, foram reabilitados 711 quilómetros, dos quatro mil previstos. Em 2005, o Governo anunciou um investimento de quatro mil milhões de dólares, graças a um empréstimo da China, que devia servir para a reabilitação de estradas.
O calvário dos automobilistas que frequentam a estrada 100, que liga Luanda, Kwanza-Sul e Benguela, começa depois do rio Kwanza, na zona do Cabo Ledo. No asfalto são visíveis os destroços das viaturas acidentadas.
No Kwanza-Sul, as estradas que ligam a Gabela, Conda, Ebo, Quibala-Mussende, Cela, Porto Amboim e Sumbe estão todas partidas e o empreiteiro que estava a reabilitá-las, a empresa brasileira Odebrecht, abandonou a obra “sem avisar”, lamenta a vice-governadora para a Área Política e Social do Kwanza-Sul, Maria de Lourdes Veigas.
Um troço de 38 quilómetros entre Kibala-Mussende está esburacado. As dificuldades de ligação entre Luanda e Huambo, passando pelo Kwanza-Sul, começam na Maria Teresa, no Kwanza-Norte, e vão até Kibala, no Kwanza-Sul.
A estrada nacional 230, que liga Luanda a Kwanza-Norte, Malanje, Lundas Norte e Sul, tem o mesmo problema. No programa de reabilitação de infra-estruturas, o governo de Malanje apostou na reabilitação do troço Lucala a Malanje e daí até Lunda-Sul. Mas as obras, adjudicadas em Janeiro a três empreiteiros, ainda não arrancaram. O governador Norberto dos Santos ‘Kwata-Kanawa’ havia afirmado que as obras para Malanje deviam iniciar-se na Kizenga, em Cacusso, até à capital provincial, por ser o troço “mais crítico”.
O mesmo cenário verifica-se na estrada nacional 100 que liga Luanda, Bengo e Zaire, passando pela ponte que está a ser construída no rio Ambriz. O troço é crítico depois do Bengo até ao Nzeto, Zaire. Daqui a Tomboco ou ao Kindege, a situação repete-se. A estrada 120, que liga Mbanza-Congo, Mpala e Noqui, na fronteira com o Congo Democrático, também está degradada. O director provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), Manuel Diangani, acusa os automobilistas de “excederem” a carga dos seus camiões que transportam mercadorias para o Congo. A estrada foi reabilitada em 2011, mas já está partida em todas as faixas, por isso tem sido feito um trabalho de ‘tapa buracos’. Ainda no Zaire, a estrada que liga Mbanza-Congo a Cuimba tem 60 quilómetros degradados. A mesma via, que liga ao Uíge, através de Maquela do Zombo, não está asfaltada.
A estrada que liga o Bengo a Quitexe, Uíge, além das várias curvas e capim muito alto, está destruída nalguns troços. As estradas que ligam Sanza Pombo, Buengas, Songo, Bembe, Milunga e Ambuila, estão “intransitáveis”. As obras de terraplanagem começaram em 2011 e ainda não terminaram.
A circulação na estrada que liga Bié ao Kuando-Kubango pode ficar cortada devido ao avanço de uma ravina na vila do Mumbue, Chitembo. Cruza Kuito e Menongue e tem um desvio que vai para o Huambo. Ainda no Bié, há também um avanço de ravinas em Cangangawé, Cantiflas e Chissindo. O vice-governador do Bié para área Técnica e Infra-estruturas, José Fernando Tchatuvela, já alertou que se não forem reabilitadas as estradas, a província poderá “ficar isolada”.

Programa atrasado

O programa de conservação de estradas, aprovado em 2012, ainda não foi implementado por “falta de dinheiro”. O director do INEA defende a necessidade de se investir na conservação das estradas. António Resende confirma que, todos os anos, é aprovada a conservação de estradas, mas reconhece que, do ponto de vista financeiro, “há dificuldades”. Daí que o INEA faça trabalhos “paliativos”.
O Governo alterou, em 2014, o modelo de conservação de estradas, na contratação das empresas e na disponibilização do dinheiro.
O programa de manutenção e Conservação Rodoviária foi elaborado pelo INEA, em 2007, aprovado pelo Presidente da Republica em 2008. As obras de conservação só começaram em 2011, com a reabilitação de 711,4 quilómetros dos quatro mil previstos. Haviam sido atribuídos 11 dos 64 lotes desenhados pelo programa. Em 2014, quando as estradas “deterioram”, o programa foi implementado de uma forma emergencial, reabilitou algumas vias, mas depois foi interrompido até hoje.

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