PT

Governo assegura ter verba disponível

Angola precisa de 18 milhões de vacinas

Por Teresa Fukiady  /  Foto Mário Mujetes

Para imunizar o país todo contra a febre-amarela, são necessárias mais de 18 milhões de doses de vacinas. Mas não se encontram disponíveis. Estão contabilizados mais de 230 mortes devido à febre-amarela. Luanda é também afectada com um surto de paludismo e malária que já provocou mortes “consideráveis”, afirma o Ministério da Saúde.

Para combater o surto de febre-amarela que assola o país desde Dezembro do ano passado, são necessárias mais 18 milhões de doses de vacinas, além das mais de seis milhões que foram disponibilizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas a resposta vai tardar a chegar, tendo em conta que já não há vacinas disponíveis no ‘stock’ da OMS. As que estavam armazenadas no ‘stock’ mundial de vacinas de emergência foram todas enviadas para Angola para ajudar na campanha de vacinação, realizada em Luanda, desde Fevereiro. Com as sete milhões de doses de vacinas disponibilizadas, conseguiu-se fazer uma cobertura de 88 por cento só em Luanda.
A situação foi explicada, em conferência de imprensa, pelo ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, e por Margaret Chan, directora-geral da OMS.
A responsável da OMS assegurou que os fabricantes foram alertados a produzir e a disponibilizar vacinas o “mais rapidamente possível”. Luís Gomes Sambo garante que há dinheiro para que as vacinas sejam adquiridas assim que estiverem disponíveis.
Há duas semanas, em entrevista ao NG, o representante da OMS em Angola, Hernando Agudelo, revelava que Angola se comprometeu a pagar 50 por cento das vacinas encomendadas, mas ainda não o tinha feito. “Além das vacinas, a OMS disponibilizou mais de 60 técnicos e um milhão e meio de dólares para pagar o aluguer de viaturas, comprar combustível e ajudar no pagamento das vacinas”, contou Hernando Agudelo, que afirmou serem necessários 24 milhões de dólares para adquirir vacinas para todo o país.
O Fundo Global para as Emergências de Saúde Pública da OMS disponibilizou, no início do ano, apenas 300 mil dólares para ajudar no combate ao surto de febre-amarela que se vive desde Dezembro. O valor foi utilizado na primeira campanha de vacinação realizada em Luanda.
Luís Gomes Sambo fez saber que o Governo já assumiu despesas na ordem dos 18 milhões de dólares. E que conta ainda com a solidariedade internacional que até agora contribuiu com quatro milhões de dólares.
Para fazer frente ao surto de febre-amarela, foi elaborado um plano que tem como finalidade a investigação epidemiológica e laboratorial, a vacinação, a luta anti-vectorial, o tratamento de casos e, por fim, a comunicação e a mobilização social. Luís Sambo entende ser “importante” que a comunicação social informe a população para que saiba e compreenda o que é a doença, como se adquire, transmite e evite.

Sempre a subir

O número de mortes por febre-amarela continua a aumentar. Estão contabilizados mais de 230 óbitos em mais de 1.500 casos. Além da febre-amarela, Luanda é assolada pelas epidemias de malária e paludismo que, de acordo com Luís Sambo, também são preocupantes por apresentarem um índice de mortalidade “bastante considerável”.
Desde os primeiros meses do ano, registou-se um número excessivo de casos e uma grande procura dos serviços médicos. As principais vítimas são crianças com idade inferior aos cinco anos, adolescentes e jovens.
A directora regional da OMS, Matshidiso Moeti, anunciou, para breve, a construção de um centro de controlo de doenças em África. O centro deverá ser implementado pelos países da União Africana em parceria da Organização Mundial da Saúde (OMS).
De momento, África conta apenas com um centro operacional de emergência, ao nível da OMS, que tem a missão de monitorar a sub-região africana, velar pelos riscos e informações iniciais sobre surtos.
A decisão para a construção do centro poderá ser tomada na próxima cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Africana que se realiza ainda este ano.

» LEIA TAMBÉM

» Deixe o Seu Comentário