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Escritores elegem sábado o secretário-geral da UEA

Dois candidatos, duas ideias

Por Onélio Santiago

A União dos Escritores Angolanos (UEA) tem eleições marcadas para sábado. Em entrevista ao NG, os candidatos a secretário-geral não perderam a oportunidade de ‘pescar’ mais um voto. Carmo Neto fala em “ultrapassagens” de metas, enquanto Cristóvão Neto quer mudar uma associação que considera “estagnada” e “amorfa”.
Carmo Neto e Cristóvão Neto são dois malanjinos cujas convergências se limitam ao ‘local’ de nascimento e à coincidência no sobrenome. Tudo o resto diverge entre os dois candidatos a secretário-geral da União do Escritores Angolanos (UEA).
A 48 horas das eleições, Carmo Neto, por exemplo, não tem dúvidas de que, nos últimos três anos, ultrapassou “muitas metas”, realçando a edição de “mais de 100 livros” e a “dinamização” do site da instituição, que teve “mais de um milhão” de visitas – entre estudantes, ensaístas, antropólogos e outros.
No cargo de secretário-geral há seis anos, Carmo Neto disputa um terceiro mandato de três anos e pretende convencer o eleitorado com um programa que, entre outros aspectos, prevê a construção de um edifício (mesmo ao lado das actuais instalações) com salas multiusos, que deverão ser arrendadas e, com isso, “abrir-se novos caminhos para a geração de receitas”. Carmo Neto prevê, igualmente, criar a figura do ‘representante da UEA’ em todas as províncias e até mesmo no exterior. “O objectivo principal é ter um agente promotor da literatura angolana nestas localidades que se disponha a divulgar as actividades em nome e concertação com a UEA”, explica o escritor, que prevê organizar em todo o país, do concurso literário ‘Quem me dera ser onda’ como uma das “conquistas” do seu mandato.
Cristóvão Neto, por sua vez, entende que a UEA anda “estagnada”, estando convertida numa instituição “sem expressão, quase amorfa, definhando a cada ano que passa, vivendo os últimos dias de um passado de glória”. A liderar a lista B, que tem como presidente da mesa da assembleia-geral Maria Eugénia Neto, viúva de Agostinho Neto, Cristóvão Neto pretende ampliar o número de livros angolanos traduzidos noutros países, tendo como base um programa que ofereça bolsas para custear a tradução. Membro da UEA desde 1996, Cristóvão Neto promete um programa de protecção social que deverá “subsidiar em 70 por cento uma apólice de seguro de saúde a cada membro da UEA”. Neste programa, consta igualmente a criação de um fundo de ajuda aos escritores desempregados e sem dinheiro para sobreviver. Na administração e finanças, Cristóvão Neto prevê um modelo a que chama de “reengenharia”, que vai “redesenhar processos e sistemas de informação e valores, reduzindo custos e tempo, para melhorar a qualidade do serviço”.

Tudo num só dia

As eleições na UEA realizam-se no próximo sábado, 16 de Abril, prevendo-se, para o mesmo dia, a divulgação dos resultados. O regulamento eleitoral prevê que os titulares de órgão possam ser eleitos por mais de dois mandatos consecutivos. Até ao fecho desta edição, a comissão eleitoral não tinha ainda definido a lista dos membros ‘autorizados’ a votar. Podem votar, os membros com as quotas em dia.
O candidato eleito terá um mandato de três anos, a iniciar dez dias depois do pleito eleitoral.
Proclamada a 10 de Dezembro de 1975, a União dos Escritores Angolanos (UEA) congrega mais de 120 membros. Agostinho Neto foi o primeiro presidente da assembleia geral, enquanto Luandino Vieira o primeiro secretário-geral. Promover a defesa da cultura angolana como património da Nação e incentivar a criação literária dos seus membros, proporcionando-lhes condições favoráveis ao trabalho intelectual e à difusão das obras foram alguns dos objectivos que motivaram a sua criação. Para fazer parte dela, os candidatos têm de ter duas obras literárias publicadas que, por sua vez, são analisadas por ‘uma mesa de leitura’ cujos componentes (também membros da União) têm como grau mínimo de formação o mestrado em Literatura.

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