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Em apenas três meses

Chuvas matam e expõem fraquezas

Por André Kivuandinga  /  Foto Mário Mujetes

As chuvas deste ano em Angola inundaram hospitais, escolas, residências, igrejas, aeroporto e fizeram quase 180 mortos. Os estragos foram verificados nos municípios mais recônditos até as principais cidades e sobretudo em zonas de construção perigosa.

Este ano, Angola tem registado chuvas fortes acompanhadas, nalguns casos, por ventos fortes, que variam entre os 20 e os 30 quilómetros por hora.
Dai o conselho do técnico do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísico de Angola (INAMET), Bala Ernesto, para as populações que residem em zonas de “risco” “terem cuidados e precaução com as enxurradas”. Em Cabinda, todas as vezes que chove, a pista do aeroporto ‘Mambo Café’ inunda originando a interrupção do tráfego de voos. Os bairros 1.º de Maio, Lombo Lombo, Luvassa, Madómbolo e Chiweca, o novo assentamento do Zôngolo e o Povo Grande, onde 17 casas ficaram destruídas, sãos os mais fustigados. O vice-governador para a área técnica e infraestruturas de Cabinda, Otiniel Niemba da Silva, havia dito ser necessário que se fizesse estudos para reter a água a fim de se evitar inundações enquanto se procura uma solução definitiva. O estudo estava previsto para Fevereiro, mas ainda não foi realizado.
No Chongoroi, em Benguela, Bolonguera e Camuine ficaram isoladas em Janeiro, devido ao corte na circulação nas vias de acesso por causa do desabamento da ponte sobre o rio Hanja. A administradora comunal, Juliana Bendi, lembrou que, nesta época, as inundações são “frequentes”.
A governante explica que as quando caem “sem cessar” causam a subida do caudal do rio Hanja, deixando as populações isoladas do resto do município e “sem assistência médica”.
Em Benguela, as chuvas voltaram a provocar inundações nos bairros do Goa, Quioxe, 11 de Novembro, Massangarala, Pecuária, Madeira e Calomanga, situados na periferia da cidade. No Caimbambo, as chuvas inundaram 13 hectares de milho. A passadeira de acesso à estação do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) foi também danificada pelas cheias do rio Catuyo, cortando a circulação e o tráfego rodoviário na periferia. Lobito e Catumbela também não têm sido poupados pelas inundações. Na Egipto-Praia, no Lobito, 17 casas foram destruídas e 100 pessoas desalojadas.
As inundações em Luanda encharcaram quase cinco mil casas e atingiram sobretudo Kilamba-Kiaxi, ‘Neves Bendinha’, Palanca, Sambizanga, na zona do sector da Frescura, Soares da Costa e imediações da Cimangola. No Rangel e Kilamba Kiaxi, as ruas e casas também ficaram inundadas. No Cazenga, os bairros do Calahuenda, rua Rei Pele, bem como o transbordos da bacia do Grafanil, no Coelho, afectam os moradores e quem circula de carro por estas zonas.
Em Cacuaco, os bairros dos Pescadores, Cerâmica, Kikolo e o da Boa Esperança estão em estado crítico. Viana tem sido dos municípios mais afectadso, sobretudo nos bairros da Regedoria, quilómetros 9 e 12, zona A e B, Mulenvos de Cima e o de Baixo e o transbordo do canal do Kicuxi. No Bengo, quando há chuvas acima da média, o caudal do rio Dande aumenta e rompe os diques de protecção do Caxito, provocando inundações. As chuvas destruíram mais de 1.800 residências, seis escolas e duas igrejas em várias localidades no Uíge, Puri, Sanza Pombo, Milunga, Bungo, Bembe e Quitexe.
Nestes municípios, os campos agrícolas também ficaram inundados. O porta-voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Eduardo André, aponta a construção de casas em locais “impróprios”, como terrenos inclinados, em lençóis de água e em zonas próximas das valas de drenagem, como estando na base dos sinistros.
No Nzeto, Zaire, as chuvas inundaram 86 casas tendo deixado 567 pessoas ao relento. Os bairros Kibonga, Kimpaxi, 1.º de Maio, Nkondo e Fuku foram nos mais afectados. A maior parte das casas encontra-se próximo de canais de drenagem das águas residuais e em zonas pantanosas. No Namibe, 350 casas inundaram e quatro igrejas destruídas no Rocha Magalhães, Tômbwa. No Sumbe e Porto Amboim, Kwanza-Sul, as chuvas destruíram 170 casas, inundaram o hospital Pediátrico do Sumbe, três escolas, uma igreja e o quartel dos Bombeiros. No Kwanza-Norte, as chuvas desalojaram 2.419 pessoas devido ao desabamento das residências. Nos quatro municípios da Lunda-Sul, as chuvas destruíram 629 casas desabrigaram 1.544 pessoas e destruíram três escolas e uma igreja.

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