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Atraso nos subsídios, atraso nas viagens

INAGBE ENCOSTADO ÀS CORDAS

Por Onélio Santiago   /  Foto Santos Samuesseca

Há bolseiros angolanos sem subsídios há oito meses. Há ainda uns que ganharam a bolsa, mas estão desde 2015 à espera da viagem ao exterior. Na semana passada, houve uma manifestação. O INAGBE reuniu-se com os pais, mas a insatisfação continua.

Um grupo de pais e encarregados de educação reuniu-se, na semana passada, com os responsáveis do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudos (INAGBE) para discutir a situação dos bolseiros angolanos no exterior. O encontro, em que participaram apenas seis dos mais de 20 pais presentes no INAGBE, decorreu na quinta-feira – dois dias depois de uma manifestação dos familiares de bolseiros.
Fernando Carvalho, de 47 anos, é um dos encarregados de educação que participou na reunião. Com um filho de 26 anos a estudar Engenharia de Petróleos na cidade russa de Ufa, Fernando Carvalho entende que a reunião “foi produtiva”, visto que o director-geral-adjunto do INAGBE garantiu que “todos os normativos e papéis foram assinados”. Segundo Fernando Carvalho, foi-lhes assegurado o subsídio até Março deste ano, “quer para os todos os bolseiros”, mas, até ao fecho desta edição, ainda não tinha sido pago. “Creio que, dentro de pouco tempo, os meninos estarão a confirmar que receberam algum valor”, refere Fernando Carvalho. O filho tinha recebido o subsídio referente a Setembro do ano passado.
No entanto, se Fernando Carvalho está confiante, o mesmo não acontece com Antonica José, por exemplo, que entende que a reunião “não trouxe nada de novo” por não lhe ter assegurado quando é que os dois primos, na Rússia, vão receber os subsídios. “Eles terminam a formação em Agosto, e este é meu medo. Se só há o subsídio de Setembro de 2015, como é que vão pagar o tutor? Como é que pagam a universidade?”, questiona Antonica José.
As reclamações sobre o funcionamento do INAGBE não se resumem a quem estuda lá fora. Há estudantes que ganharam bolsas de estudo para a Rússia há um ano, mas nem sequer viajaram. Manuel Miguel, por exemplo, entende que o INAGBE o colocou numa “encurralada complicada”. Tudo começou em Setembro de 2014, quando o jovem, de 21 anos, ganhou uma bolsa de estudos externa. A ‘conquista’ deveu-se à média superior a 15 valores que obteve no ensino médio. Tratou de todos os documentos exigidos pelo INAGBE. No entanto, como até final de 2014 o processo da bolsa estava em ‘banho-maria’, os pais de Manuel Miguel entenderam que o rapaz não podia passar todo o 2015 em casa. Inscreveram-no numa universidade namibiana, a Victor College. Manuel Miguel estava já a meio do propedêutico de Engenharia de Redes, quando os pais, residentes em Cabinda, receberam a informação de que o filho tinha sido seleccionado para uma bolsa de estudos na Rússia. Os pais entenderam que, tendo ganho a bolsa numa instituição pública, o filho deveria voltar para Angola. Já no país, Manuel Miguel teve de traduzir os seus documentos em russo, o que lhe custou mais de 40 mil kwanzas. Seguiram-se gastos com os exames médicos e com a obtenção de visto. Em Novembro de 2015, chegou a carta de chamada para a Rússia. O INAGBE alertou Manuel Miguel que, a qualquer altura, poderia viajar. Por isso, o estudante saiu de Cabinda e passou a viver na casa de um amigo na Samba, em Luanda. Até hoje, no entanto, a viagem para a Rússia não aconteceu. Em Janeiro de 2016, o director-geral do INAGBE, Moisés Cafala Neto, reuniu-se com Manuel Miguel e outros mais de 100 estudantes. No encontro, o responsável explicou que as aulas na Rússia já estavam a meio e, por conseguinte, seria melhor aguardarem até Agosto – altura em que se dá reinício do ano lectivo. Há duas semanas, no entanto, Manuel Miguel e outros estudantes envolvidos receberam, do INAGBE, um formulário para se candidatarem às ‘bolsas das olimpíadas’, uma iniciativa das universidades russas que, através da embaixada daquele país em Angola, concebe bolsas a estudantes angolanos. “Não é correcto o funcionamento do INAGBE. Garantiram-nos que somos bolseiros e que vamos viajar em Agosto, de repente vêm dizer que temos de voltar a ser candidatos”, lamenta Manuel Miguel, referindo que as ‘bolsas das olimpíadas’ “não é um projecto do INAGBE” e, por conseguinte, qualquer estudante pode concorrer.
O NG tentou contactar o director-geral do INAGBE, Moisés Cafala Neto, mas este recusou-se a falar, alegando que não está autorizado a prestar esclarecimento.

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