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Petrolífera alerta os trabalhadores sobre os perigos da capital

Luanda “muito insegura”, avisa a Total

Por Emídio Fernando e Teresa Fukiady  /  Foto Santos samuesseca


A empresa petrolífera descreve Luanda como uma cidade insegura e, por isso, faz uma lista que recomendações que quase “obrigam” os seus trabalhadores a não sair de casa. Nos conselhos, até entram que roupas se deve vestir e que locais se deve evitar, sobretudo à noite.


A empresa petrolífera Total emitiu um comunicado a todos os seus funcionários, em que recomenda adoptar várias medidas de comportamento, devido à alegada insegurança que Luanda vive nos últimos meses.


Num comunicado interno, ao qual o NG teve acesso, a petrolífera emite um conjunto de recomendações que, levadas à prática, impedem os seus trabalhadores a saírem de casa.


Entre esses conselhos, a Total recomenda que se guardem os telemóveis enquanto se anda na rua, avisa que “não se deve andar ou caminhar sozinho” e, caso o faça, que se “ande sempre por um passeio, em locais muito frequentados de grande visibilidade e apenas durante o dia” e “nunca a pé à noite ou em horas de visibilidade reduzida”.


Na lista de advertências, consta ainda a ideia de “não transportar grandes somas em dinheiro ou mostrar qualquer objecto de valor”. “Evite trajar-se de forma extravagante ou chamativa, bem como usar jóias por excesso ou chamativas. Todavia, limite a quantidade de dinheiro e/ou objectos de valor a levar de forma a reduzir o impacto ou a perda em casos de incidente”, lê-se no comunicado


A petrolífera adverte ainda os funcionários, em caso de saírem para locais públicos, que “escolham diferentes rotas e horários no trajecto para o escritório, escolas, lojas” e que “instalem GPS no carro”. Os automóveis também merecem uma atenção especial da empresa a sugerir que “as portas estejam sempre trancadas e janelas fechadas” e aconselhar que, na rua, “não se ouça música por meio de auscultadores” porque, desta forma, “podem não ouvir a aproximação de pessoas e veículos”, tornando-se “um alvo fácil”.


Num outro ponto, a Total avisa que toda a gente se “deve manter vigilante e se confrontado, entregue qualquer objecto exigido, sem resistência”. “A experiência demonstrou que aqueles que resistem são, muitas vezes, os mais prováveis a tornarem-se vítimas de crimes violentos”, justifica a Total.
Pelo meio, a empresa ainda recomenda que os seus funcionários “verifiquem os trabalhadores domésticos, pedindo referências apropriadas a familiares, a agências” e que “não se mostrem nas redes sociais”, ao mesmo tempo que, aconselha “a não fazer a mesma rotina, mudando de rotas e horários no caminho para os escritórios” e “não deixe que os filhos falem com pessoas estranhas”.


A assessora de imprensa da petrolífera, Claudete Rocha, mostrou-se indisponível a prestar declarações, apesar de ter sido contactada há três semanas, sempre com a responsável a prometer explicar os motivos que levaram a Total e emitir o comunicado.


No entanto, logo a abrir o comunicado, a Total salvaguarda que “Luanda apresenta uma problemática de segurança típica das grandes cidades e capitais mundiais”, lembrando que estas recomendações de segurança são “compartilhadas com companhias membro da Associação das Companhias de Exploração e Produção de Angola (ACEPA) e difundidas aos seus colaboradores”.


A empresa chama a atenção que cada trabalhador “deve estar consciente do seu papel e responsabilidade pessoal na prevenção dos riscos ligados à protecção, bem como manter-se informado sobre as recomendações da filial, a fim de poder adoptar um comportamento adaptado à situação e ao ambiente”.


Receios antigos

O sentimento de insegurança entre os estrangeiros, em Luanda, tem vindo a aumentar nas últimas semanas, sobretudo depois do assassinato de quatro trabalhadores chineses e após um casal de portugueses ter sido assassinado, a tiro, no carro na via Expressa. Na mesma altura, as embaixadas dos Estados Unidos e da França emitiram comunicados aos seus cidadãos, aconselhando-os a elevarem o nível de alerta pessoal, a evitarem grandes eventos e locais de concentração na capital bem como a revisão de planos de segurança individuais. Ainda foram aconselhados, como medida de precaução, a evitar visitas ao Belas Shopping. Ulengo Comercial Center e ao Hotel Baía, no centro da cidade, por causa de um eventual ataque terrorista.
Em entrevista recente ao NG, precisamente para esclarecer a segurança em Luanda, o director de Ordem Pública da Polícia Nacional, superintendente-chefe Mateus André, garantia “não haver motivos de alarme” e que a capital estava “sob total domínio e controlo da polícia”.

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