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Agricultores na Huila sem fertilizantes

Regresso ao passado

Por Luís Morais


A carência de fertilizantes no mercado huilano força os agricultores do Perímetro Irrigado da Matala, com mais de dez mil hectares, a optar pelo regresso ao passado, utilizando métodos tradicionais baseados nos excrementos do gado


O ‘estrume’ há muito que não era utilizado, mas as dificuldades na obtenção de divisas para importar o adubo e outros fertilizantes, obriga os agricultores a mudarem de métodos.


Um saco de adubos, do tipo 12-24-12 que custava 4.500 kwanzas, em 2015, está actualmente no mercado informal a 35 mil. Os custos de produção ficam aquém das suas capacidades. Augusto Tchiwale, membro da cooperativa 1.º de Maio, alerta para as dificuldades dos agricultores do perímetro irrigado da Matala, durante 2015. Com a falta de fertilizantes, os agricultores advinham uma diminuição na produção de hortícolas.


Na quinta do dirigente associativo, foram cultivados mais de 15 hectares de couve, mas a falta de costume e de conhecimento sobre a utilização do estrume do gado pode diminuir a produção no presente ano agrícola.


Já o agricultor Paulino Manuel compra hoje um saco de estrume a 30 mil kwanzas, admitindo que, a este preço, “é impossível cobrir todas as culturas”, no seu espaço de cinco hectares de batata rena e um hectar de couve.


Outro agricultor, Manuel Pedro, partilha o problema e mostra-se preocupado. Os seus dois hectares de alho já cultivados não se desenvolvem por falta de fertilizantes, situação que associa à falta de mercado para escoar a sua produção.


A situação não afecta apenas os agricultores da Matala. As queixas vêm de todos os cantos da província, já que o Estado puxara para si a responsabilidade de adquirir e distribuir os fertilizantes e assim o fez nos últimos 20 anos.


O perímetro irrigado da Matala conta com 10.700 hectares, sustentado por um canal de 42 quilómetros de extensão, alimentado pelo Rio Cunene.

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