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Agostinho Muluta Prata, presidente cessante do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola

“Não existe corrupção na arbitragem”




O presidente cessante do Conselho Central de Árbitros, Muluta Prata, em entrevista ao NG, faz uma avaliação positiva da prestação dos árbitros na época que terminou. O antigo árbitro internacional reconhece os erros, mas nega existir corrupção na arbitragem


Enquanto não for conhecido o novo presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Muluta Prata continua a presidir ao Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA). Em entrevista ao NG, na sua sala de trabalho na Empresa Nacional de Seguros (ENSA), faz um balanço positivo daquilo que foi a prestação dos árbitros quer no principal campeonato nacional, o Girabola, quer na segunda divisão, a ‘Segundona’.


Apesar das inúmeras dificuldades e contestações de dirigentes, jogadores, treinadores e adeptos, Muluta Prata está convencido de que os árbitros “souberam realizar o trabalho sem influenciar directamente os resultados de cada jogo”. Reconhece que pode ter havido algumas, mas conclui que esta época “foi melhor em relação aos anos anteriores” e que “não houve contestações no final das competições”.


Muluta Prata garante ter combatido o mito que dizia que a primeira volta era dos jogadores e a segunda dos dirigentes e entende que a avaliação dos árbitros não se deve cingir apenas no Girabola, mas noutras competições como o apuramento à primeira divisão e a taça de Angola. “No ano passado e neste, houve contestações nos jogos de apuramentos a primeira divisão”.


Muluta Prata assegura ter introduzido melhorias no processo de entrega dos relatórios dos jogos, por internet, via correio electrónico. Todos os árbitros e comissários devem possuir computador ligado à internet para facilitar a comunicação e possibilitar que os relatórios de jogo cheguem mais rápido à federação e os comunicados saiam em tempo oportuno.


O líder dos árbitros não se sente a “pessoa indicada para dizer se existe” corrupção na arbitragem, mas mostra-se “desfavorável ao fenómeno” e reconhece ser “um tema difícil de abordar”.


No entanto, aconselha a que se oiçam todos os agentes desportivos por existirem dois lados: o agente activo e passivo. Defende que o agente desportivo deve preocupar-se apenas com o jogo dentro das quatro linhas e não os dirigentes ‘andar atrás’ dos árbitros para tentar aliciá-los. Aconselha ainda os dirigentes a fazerem mais investimentos nos atletas, patrocinando bons contratos e prémios de jogos aliciantes. Muluta Prata lembra que a corrupção não existe só no futebol e que todos os árbitros, nacionais e internacionais, são obrigados a assinar uma declaração anticorrupção antes do início de cada época desportiva.


Seguros e regras

Um dos objectivos do CCAFA passa por oferecer um seguro desportivo a todos os árbitros. Lançado pela seguradora ENSA este ano, mal haja a aprovação da FAF, os seguros serão entregues aos homens do apito de forma a protegê-los de todos os riscos como morte, acidentes ou incapacidade física.


Quando passou a liderar o CCA, Muluta Prata encontrou uma média de idade entre os 35 e os 37 anos e conseguiu reduzir para os 27 e 28 anos. 75 por cento dos árbitros são técnicos superiores, divididos entre médicos, engenheiros, advogados, professores e gestores de empresas.


Os árbitros usam relógios, que permite à FIFA ter o controlo da condição física, mesmo fora do território nacional e sabem se o juiz treina bem ou mal, assim como determinam os níveis de condição física. São ainda obrigados a enviar, todos os meses, testes inscritos ao órgão mundial. A não nomeação para jogos da CAF e da FIFA podem estar na base da falta de renovação do crachá e de receber votos de confiança dos respectivos órgãos da modalidade.


Árbitros excluídos

Os árbitros Paulo Talaya, de Benguela, Pedro dos Santos (na foto), de Luanda, e Romualdo Baltazar, da Huíla, e o assistente Ricardo Daniel, de Benguela, não foram excluídos dos quadros da FIFA, mas sim substituídos. Muluta Prata desmente assim as notícias que têm saído, dando conta da exclusão dos juízes. Para os seus lugares, o Conselho Central indicou José Álvaro, do Huambo, Paulo Sérgio, Moxico, ambos com um ano na primeira categoria nacional, e António Dungula, de Benguela, com duas temporadas no primeiro escalão. Pedro dos Santos esteve durante oito anos com as insígnias da FIFA, enquanto Romualdo Baltazar e Paulo Talaya seis. Hélder Martins, António Caxala e João Goma são os restantes árbitros internacionais, em masculinos. No futebol feminino, foram escolhidas Marximina Bernardo e Tânia Duarte. Os assistentes são Júlio Lemos, Evanildo Lopes e Rosário Cacinda.

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