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Análise Ricardo Alves, um dos principais promotores do estilo

‘Housemusic’ de pouca saúde

Por Pihia Rodrigues   /  Foto Santos Samuesseca


Um dos impulsionadores da música electrónica em Angola, Ricardo Alves, confessa, em entrevista ao NG, que o ‘housemusic’ “não está a viver um grande momento”. À margem da 6.ª edição do encontro anual dos amantes da música electrónica, o DJ aproveitou para esclarecer os parâmetros da música e as suas fusões.


Apesar de haver muita produção de música electrónica, Ricardo Alves é crítico da qualidade do que se faz por aí. Para sustentar a crítica, recorre ao aparecimento de fusões que considera “estranhas”, pelo que apela a “um cuidado maior na produção” desse estilo de música. O DJ, um dos mais famosos em Angola, entende que há “um certo aproveitamento de cantores que não tinham nada que ver com o estilo” e que “enveredaram por ele apenas por causa da boa forma que tomou”.


O co-fundador do programa de rádio ‘Mix FM’ defende que quem sabe fazer ‘housemusic’ respeita todos os parâmetros e que actualmente as bpm (‘batidas por minuto’ – uma unidade de medida de frequência usada em música) cujo limite, por exemplo ‘soulful’ (a essência), vai dos 122 aos 126 bpm, estão “mais aceleradas”. Acrescenta que se junta a isso a forma como são aplicados as vozes e as letras nas músicas. “’House’ não é para letras muito extensas, são mais vozes repetitivas”, alerta Ricardo Alves que lembra que esses são cuidados que se devem observar para contribuir para a qualidade do estilo e acredita que, embora muitos não o fazem por desconhecimento, outros não têm em atenção por “oportunismo”.


A edição deste ano do encontro anual dos amantes da música electrónica, ‘União Electrónica’, começou na semana passada e termina no próximo sábado. São reservados três dias de encontro, já passaram dois. Para esta edição, debatem em ‘workshop’ sobre a situação actual da música electrónica em que se pretende fazer perceber que esse estilo “nem sempre é só para dançar. Merece reflexão, entendimento e apreciação”, observa Ricardo Alves.
Durante três dias, discute-se temáticas sobre a dimensão da música electrónica ‘underground’ e a explicação dos DJ sobre as técnicas de misturas com vinis em leitores de CD e um momento musical.


Esta 6.ª edição, cujo lema é ‘Underground Duologue’, não conta com participações de artistas internacionais, como tem sido hábito, uma ausência justificada pela conjuntura económica. “Não estamos fora deste contexto, os patrocinadores fecharam-se um pouco. Por isso não foi possível reunir toda a logística” para receber estrangeiros.


A edição passada ocorreu sob a temática ‘DJ Angolanos & Europeus unidos pela música”, e o ponto central era a valorização da presença feminina no universo ‘Electronic Dance Music’.


O festival é produzido pela ‘Mano a Mano Produções’ e pretende oferecer alternativas culturais à sociedade, fortalecer a relação entre Angola e os países envolvidos, juntar pessoas dos diferentes estratos sociais, bem como colocar Angola e os seus DJ e produtores no mapa internacional da música de dança electrónica.


Ricardo Alves garante, para o princípio do próximo ano, o relançamento do ‘Projecto Kamutupu’, em conjunto com DJ Smuck, e os vocalistas Ivan Alexey e Gari Sinedima. O grupo, que pretende apresentar-se mais no estrangeiro, aposta num ‘afro house’ mais acústico, com guitarras solo e baixo e percussão.

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