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Escola de atletismo ‘Dibondo Abraão’

A nova força do desporto em Angola

Por Raimundo Ngunza   /  Foto Santos Samuesseca


Dibondo Abraão, proprietário da escola de atletismo com seu nome, aposta forte na classe feminina por ser garante da modalidade. Com apenas um ano de existência, já soma conquistas e é uma certeza no desporto nacional. Com um orçamento por época de sete milhões de kwanzas, além do atletismo, a escola movimenta futebol, xadrez, basquetebol, andebol, futebol salão e tiro aos pratos.


Nos últimos tempos, o atletismo esteve circunscrito a clubes como o Petro de Luanda, Interclube e 1.º de Agosto, formações que têm conquistado o maior número de troféus. Mas esta hegemonia pode vir a ser interrompida com o surgimento da Escola de Atletismo ‘Dibondo Abraão’, que já detém recordes e melhores atletas dos 100, 200 e 400 metros. Na estreia do campeonato nacional de juniores, em Maio deste ano, a equipa feminina ficou em primeiro lugar e obteve 11 medalhas, sendo seis de ouro, quatro de prata e uma de bronze, ultrapassando os crónicos candidatos ao título. Ao NG, o proprietário da escola confessa que “não contava com a obtenção desse feito”, mas sublinha que foi “fruto do trabalho árduo e dedicação de todas as atletas” e promete trabalhar no sentido de sustentar a ‘performance’ do grupo, assim como produzir estruturas de estímulos às novas atletas, para o processo de captação de talentos.


A Escola ‘Dibondo Abraão’ gasta, em cada época desportiva, cerca de sete milhões de kwanzas. O atletismo é a principal modalidade da escola, mas também movimenta basquetebol, futebol feminino que compete desde 2004, xadrez, que se estreia no campeonato provincial, futebol salão, andebol e tiro aos pratos. O proprietário lança um apelo aos empresários no sentido de apoiarem estas iniciativas que visam melhorar a qualidade do desporto feito em Angola.


Dibondo Abraão praticou atletismo, mas é no futebol que dedica a maior parte do tempo, sobretudo na arbitragem, pelo facto de ter sido presidente da Associação de Arbitragem do Bengo.


A ideia de criar a escola foi o resultado das boas notas na disciplina de atletismo durante a formação superior na Universidade Metodista de Angola. Após ter obtido a licenciatura em Desporto, na especialidade de futebol, em 2015, passou pelas escolas e seleccionou o maior número de estudantes, assinando termos de responsabilidade com os pais das atletas. Previa obter os primeiros resultados em 2018, mas, em Maio deste ano, venceu o campeonato provincial em iniciados, juvenis e juniores.


Quando resolveu criar a equipa de atletismo, Dibondo Abraão não esperava o sucesso. A aposta passava por ter uma atleta na maior cimeira desportiva do mundo, os Jogos Olímpicos de 2020, no Japão. Actualmente, tem 64 meninas com idades compreendidas entre os oito e os 15 anos, que treinam com regularidade, quer na no estádio dos Coqueiros, quer no ‘Campus’ da Universidade Metodista de Angola, na Funda, em Cacuaco, com equipamentos de última geração.


NÃO É SÓ CORRER

O dirigente recorda que o atletismo “não é só correr”, mas sim “um conjunto de actividades desportivas como correr, saltar, lançar, arremessar e marchar”. Grande parte das provas de atletismo é realizada em estádios fechados. Por escassez de atletas, Dibondo Abraão lamenta não existirem competições no salto à vara e triplo salto, mas, ainda assim, promete melhorar o nível de atletismo feminino praticado em Angola que considera ser “muito fraco”. Apesar de a Huíla formar bons atletas no ‘fundo’, devido ao clima e à altitude, defende que estas provas têm “donos” em África como Quénia e Etiópia. Dibondo Abraão aconselha as outras escolas, dada a própria fisionomia dos atletas, a trabalhar mais e apostar em disciplinas técnicas e de velocidade nos 100, 200, 400 e 1.500 metros, por existir uma maior probabilidade de conseguir bons resultados.


O empresário acredita que, nos próximos anos, e já com a nova direcção da Federação Angolana de Atletismo, Angola vai apostar nestas disciplinas e melhorar a modalidade. No entanto, critica muitos dirigentes por colocarem a modalidade “em último plano” nos principais clubes e escolas desportivas em relação ao andebol, futebol e basquetebol. Sublinha que uma medalha de ouro de atletismo em Jogos Olímpicos ou noutras competições possui o mesmo valor em relação a de uma selecção e torna mais fácil investir em modalidades individuais do que colectivas, por serem menos dispendiosas.

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