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No Panguila e no Quilómetro 30

Carne abunda nos matadouros




São os principais abastecedores dos talhos e mercados em Luanda. Abatem mais de 20 animais, de diferentes espécies, por dia. Trata-se dos matadouros do Panguila e do Km 30, no Ramiro, onde o comércio da carne dá vida aos espaços e garante que há suficiente para o Natal.


Entre vários em Luanda, os matadouros do Panguila, propriedade da Mamil Agropecuária e do Quilómetro 30, Ramiro, do grupo Songo Comercial, são tidos como “os mais procurados”, por serem os principais abastecedores dos diversos talhos e até mercados espalhados pela capital e arredores. Estima-se que, num único dia, podem, em conjunto, abater cerca de 50 cabeças de gado bovino, suíno e caprino.


Ambos funcionam como um centro de negócios, tendo em conta os processos que o animal segue até chegar ao consumidor final.
Quem for a um destes, ou outros, locais vai certamente deparar-se com duas realidades. A primeira prende-se com o facto de os matadouros terem um espaço próprio para a venda de animais, onde os preços variam em função do peso, cujo quilo ronda os 800 a mil kwanzas, segundo o director da administração e finanças do matadouro do Panguila, Deloiro Contreiras. Por outro lado, caso não haja, o cliente pode comprar o animal de um fornecedor, a indicar ou por preferência, cujos os preços são oferecidos mediante o tamanho do animal, que pode custar até 300 mil kwanzas, um valor considerado por Deloiro Contreiras “exagerado”. “A ideia é comprar a um preço baixo e revender a um valor razoável. Mas a realidade é outra. Os fornecedores continuam a disparar os preços”, considera.


Depois de ter adquirido um animal, o cliente tem duas opções: ou leva-o para o abate ou acomoda-o no curral do matadouro, onde deve pagar entre dois e 3.500 kwanzas, a estadia. Antes de qualquer outro procedimento, o animal é levado a uma sala de veterinária para ser avaliado. Aí, o proprietário deve pagar um valor para a guia médica, não revelado, que, depois, é encaminhada aos cofres do Ministério da Saúde, pela cedência de técnicos. Examinam os animais e, caso encontrem alguma anomalia, o animal não vai para o abate, mas sim é queimado.


OFERTA SATISFAZ

Os animais são, na maioria, provenientes do Cunene, Huíla, Namibe e Kwanza-Norte. Segundo o director da administração e finanças do matadouro do Panguila, apesar das dificuldades, consegue-se dar resposta à procura. “Existem dificuldades em conseguir trazer animais ao matadouro devido aos custos elevados”. Mas não temos reclamações dos nossos clientes. Ninguém fica insatisfeito, porque temos carne para todos”, garante Deloiro Contreiras.


Para o gerente do talho Efraim Ferreira, Alexandre Pascoal, os preços praticados nos dois matadouros, onde normalmente faz o abate dos animais, são “acessíveis”, elogiando “a qualidade de serviço oferecido”. Por outro lado, garante existirem, em quase todos os talhos, quantidades de carne suficientes para cobrir a quadra festiva. “Apesar de vermos reduzida a procura dos nossos serviços, devido à venda em locais impróprios, ainda conseguimos tirar bons proveitos. Tenho a certeza de que, como nós, quase todos os talhos têm carne suficiente para acudir as necessidades dos luandenses até Janeiro.”


HÁ MATADOUROS CLANDESTINOS!

A maior preocupação de quem investe forte na indústria da carne tem sido os vários pontos de matanças de animais, principalmente em mercados informais. De acordo com Deloiro Contreiras, esses locais “não oferecem condições apropriadas” para o abate de animais, cuja carne, depois, acaba por ser consumida por milhares de pessoas. Por isso, apela à população a não comprar carne vendida nestes locais, sem higiene nem segurança, sob pena de se contraírem doenças.


Preços e serviços básicos Especulação punida

Os comerciantes, que forem encontrados a praticar irregularidades, como o aumento de preços nos produtos e serviços básicos, trespasse de alvarás comerciais e a venda de mercadorias nos mercados informais durante a quadra festiva, vão ser punidos, avisou o inspector-geral do Comércio, Heleno Antunes. Em conferência de imprensa, no quadro da ‘Operação Natal Seguro’, aquele responsável alertou que as punições podem ir desde o cancelamento do alvará ao encerramento do estabelecimento.


A fiscalização, a ser realizada em parceria com os órgãos da comissão multissectorial criada para as acções operativas, vai incidir fundamentalmente sobre a legalidade dos estabelecimentos comerciais e dos aspectos relacionados com o tipo de actividade exercida por lei, com realce para a especulação, qualidade e preços dos produtos. De acordo com Heleno Antunes, o plano de acção foi elaborado para “assegurar que os produtos cheguem aos consumidores dentro dos padrões de qualidade e ao preço exigido por lei”.


A ‘Operação Natal Seguro’ visa a inspecção dirigida às firmas catalogadas, prevenir e combater as infracções contra a economia e a saúde pública.

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