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MPLA mantém segredo sobre os cabeças de lista

Nomeação não foi desta…

Por Valdimiro Dias   /  Foto Manuel Tomás


O MPLA não anunciou, outra vez, os cabeças de lista às próximas eleições. José Eduardo dos Santos nem apareceu na festa dos 60 anos do partido e João Lourenço discursou para mobilizar os militantes.


As expectativas de milhares de militantes do MPLA que se deslocaram ao Estádio ‘11 de Novembro’, em Luanda, no sábado, para conhecer os futuros cabeças de lista, ficaram goradas, tendo em conta que o assunto passou ao lado do comício que visava não somente celebrar o 60.º aniversário do partido, mas marcar a abertura da pré-campanha eleitoral.


Apesar de o MPLA ter mobilizado milhares de militantes e simpatizantes para o recinto desportivo não foi capaz de o encher. Havia muito espaço para preencher, o que provavelmente terá retardado o arranque da festa abrilhantada com música.


José Eduardo dos Santos esteve ausente e coube ao vice-presidente, João Lourenço, fazer as ‘honras da casa’, com uma intervenção de mais de uma hora. Mas, no discurso, nem uma única referência à possibilidade de ser ele a liderar a lista do MPLA, candidata às eleições de 2017, como tem sido relatado pela comunicação social.


Além de fazer uma abordagem histórica da trajectória do partido, João Lourenço destacou os desafios do partido relativos às próximas eleições que passam pela manutenção do poder “para continuar a tarefa de desenvolvimento”.


A líder da Organização da Mulher Angolana (OMA), Luzia Ingles, além de exprimir o apoio na mobilização ao registo eleitoral, também evitou fazer qualquer referência aos nomes dos cabeças de lista.


Tudo indicava que o esclarecimento definitivo sobre a possível saída de José Eduardo dos Santos da corrida presidencial poderia acontecer no sábado, 10 de Dezembro, mas a ausência do presidente do MPLA era um indicador que este facto não viria acontecer. Na semana passada, vários órgãos de comunicação social, nacionais e estrangeiros, davam como certa a decisão do presidente do MPLA em não concorrer em 2017, apontando o actual vice-presidente do partido e ministro da Defesa, João Lourenço, como o próximo cabeça de lista, e Bornito de Sousa, ministro da Administração do Território, como número dois da lista.


Mas o MPLA ainda terá feito depender a decisão final das bases. Segundo o jornal Valor Económico, citando fontes próximas da direcção do partido, havia pressões de uma parte da direcção do MPLA para que José Eduardo dos Santos reconsiderasse a ideia de não se recandidatar a mais um mandato.


“Mais trabalho”

O MPLA assumiu-se como favorito para vencer as eleições de 2017, mas o vice-presidente João Lourenço pediu aos militantes “mais trabalho”. “Precisamos de apanhar muito sol, de suar, de caminhar muito, de perder noites, de conversar muito com o povo, não apenas com os militantes, com o povo em geral e se o fizermos tenho a certeza que o povo angolano mais uma vez vai reiterar a sua confiança no partido, porque efectivamente só com o MPLA o povo angolano conhecerá dias melhores”, afirmou.


O dirigente apelou a uma maior adesão ao registo eleitoral, bem como ao empenho dos militantes, a todos os níveis, para ganhar as eleições e consequentemente “oferecer melhores condições de vida”. O dirigente do MPLA não deixou de reconhecer o papel de Fidel de Castro na conquista e manutenção da independência, lembrando que Cuba ajudou Angola de forma “desinteressada do seu petróleo, diamantes e outras riquezas, ao enviar os seus filhos para combater junto dos angolanos”. João Lourenço enfatizou o papel desempenhado pelas mulheres e a juventude em todas as etapas da luta clandestina e armada de libertação de Angola, bem como na reconstrução nacional. Na abordagem económica, destacou o desafio que “Angola deve enfrentar na grande batalha do desenvolvimento” e esse objectivo deve ser alcançado com ou sem petróleo, a actual maior fonte de riqueza.


“Angola está a viver um momento difícil, mas que é conjuntural”, reconheceu o vice-presidente do MPLA, para quem “nenhum país caminha sempre à mesma velocidade”. Além disso, defendeu que o “reduzido crescimento do país resulta da conjuntura internacional”, mas acredita que o “processo vai retomar”. “Se por algum milagre, o petróleo sumir, não teremos de chorar por isso. Deus foi generoso com Angola. Deu muita coisa boa e não devemos ser ingratos com Ele. A melhor forma de agradecer por nos ter oferecido praticamente tudo, é explorar ao máximo as outras riquezas que a natureza nos oferece.”

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