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Depois do sucesso nos EUA, Leggezin-Fin regressa aos palcos

A arquitectar o rap

Por Pihia Rodrigues   /  Foto Santos Samuesseca


Cresceu na música nos EUA, ao lado do ídolo, dedica-se à arquitectura, mas sem deixar o rap de lado. Vai lançar um álbum no próximo ano e tem o ‘carimbo’ de um grupo mais prestigiados do hip-hop mundial: Wu Tang Clan.


Osvaldo Ferreira, mais conhecido por Leggezin-Fin, começou a investir no sonho de se tornar membro do ‘Wu Tang Clan’ partindo para Portugal, em 1991, aos 11 anos. Internado num colégio do Porto, conheceu os rappers ‘Mundo Segundo’ e ‘Fuse’ do grupo português de hip-hop, ‘Dealema’. Mas foi Ace, de outro grupo, o ‘Mind da Gap’, que o consolava sempre que o ouvia chorar “por causa da kizomba”, que o “fazia lembrar os amigos e Angola”. Assim deu os primeiros passos no hip-hop. Decidiu parar de ouvir o estilo « da terra.


A influência dos novos amigos, e do irmão que já ouvia rap há muito tempo, levou-o a gostar do grupo ‘Wu tang clan’. Juntavam-se em Gaia, no Porto, para assistirem à Mtv rap, o que serviu, de certa forma, de ‘check-in’ para viajar para os EUA. Antes teve uma passagem curta por Coimbra, onde criou um grupo efémero que lançava músicas de contestação sobre “a realidade que viviam”: a discriminação e o racismo nos colégios. A performance era inspirada no ‘Wu tang clan’. Desafiava os amigos que iria realizar o sonho de estar ao lado do grupo. “Chamavam-me de maluco”.


Mas o sonho acabou mesmo por acontecer. Leggezin tornou-se membro do ‘Wu tang clan’ em 2008,um ano mais tarde foi baptizado nas ‘tournées’ do grupo na Europa, mas “a meio gás”, já que as ‘tarefas para casa’ das aulas de ‘Paisagismo e Interior’ exigiam cada vez mais do então futuro arquitecto, o que limitava os concertos. Pensou desistir de estudar, mas a promessa feita ao pai prevalecia. “Valeu a pena estudar, em Angola, não dá para viver só da música”, reconhece.


Quando o pai faleceu, em 1999, a mãe viu-se pressionada a cumprir o propósito do marido, de enviar o filho para os EUA.
Saiu de Portugal. Em Nova Iorque, ia assistindo aos espectáculos do ‘Wu’, até que em 2003, num ‘show’ do RZA, um dos integrantes principais do grupo, um colega japonês levou uma gravação de Leggezin. No dia seguinte recebeu uma chamada de ‘Prodigal Sunn’, membro de um dos grupos afiliados, Sunz of Man.


Já era um passo para chegar ao objectivo: “um bate-papo com RZA”. Continuou a frequentar os ‘shows’ e a aproximar-se do ídolo através dos elementos ligados ao clã ‘Wu’. E de repente, Leggezin achava-se, vezes sem conta, a trocar ideias com a sua fonte de inspiração, “sem querer, relacionámo-nos de tal forma que hoje somos manos”. Foi familiarizando com outros membros do grupo, ‘Method Man’ e ‘GZA’.


Foi aconselhado por estes “gurus” do hip hop internacional a cantar nas duas línguas que dominava: portuguesa e inglesa, já que só cantava em português.


Em 2004, lançou o álbum ‘Precisão’ com a participação de RZA e Prodigal Sunn. Mas sente-se pouco reconhecido em Angola, talvez por estar distante. “Só tirava uma semana para entrevista no programa do Miguel Neto e comercializar umas duzentas cópias de CD na portaria da LAC e nalgumas lojas”.
Confessa “nunca” ter gasto “um tostão” para ser considerado no núcleo. Foi “a forma enérgica” como se apresenta em palco, com o qual tem “uma relação amorosa”, que cativou os norte-americanos.


“Se desse para viver no palco, não hesitaria”, “mas em Angola boicotam muito”, lamenta, reforçando que os convites para ‘shows’ “é mais por cunha”. onvites para ‘shows’ “é mais por cunha”. Reconhece que a pouca visibilidade nas redes sociais. Chega, inclusive, a perder contactos porque abandona o telemóvel, “quando estou concentrado no trabalho (de arquitectura), deixo o telemóvel distante”, mas promete “ficar mais atento”.


Decidiu regressar, em 2011, a Angola, o que espanta algum público, a julgar pela fraca movimentação artística do rapper, ao longo destes anos. Dedicou-se à arquitectura e paisagismo.


Sempre que pode ruma aos EUA para participar em alguns concertos e matar saudades. Em 2017 vai lançar um álbum, com o título UFF (União Faz a Força).Tem participações de Raff Tag, Kool Klever, Dred Joseff, e “muitos outros”.


O projecto junta angolanos e estrelas norte-americanas. Já há uma música por sair, com vozes dos filiados do ‘Wu tang clan’: Prodigal Sunn, Sho Gun Assasson e os angolanos Maleff e Dred Joseff. Fazem ainda parte deste projecto a realização de espectáculos no largo da ‘Auto pechincha’, na Vila Alice, em Luanda, evento que vem promovendo desde 2001, onde apela à solidariedade de rappers para uma causa social através do contributo com o talento, já que o público na entrada só precise de deixar uma doação.

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