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Universidades justificam alterações com a conjuntura

PROPINAS COM NOVOS PREÇOS

Por Onélio Santiago


Nos últimos anos, o início de cada ano lectivo tem sido ‘saudado’ com mexidas nas propinas. 2017 parece não fugir à regra, abrindo logo com alterações nas universidades ligadas às igrejas Católica e Tocoísta. Nas instituições públicas, o preço das confirmações de matrículas mudou “em definitivo”.


As aulas no ensino superior ainda não ‘arrancaram’, mas há quem já esteja a fazer contas devido às “mexidas” nos preços nas universidades públicas e privadas. No recém-criado Instituto Superior Politécnico Tocoísta (ISPT), por exemplo, em 2016, os estudantes de Engenharia Electrónica, Engenharia Civil, bem como Arquitectura e Urbanismo pagavam mensalmente 27.500 kwanzas. Este ano, deverão pagar 30 mil. A instituição também subiu a mensalidade de Sociologia e de Contabilidade e Finanças, passando de 25 mil para 27.500 kwanzas.


Além das propinas, o ISPT também ‘mexeu’ noutros emolumentos. No ano passado, as inscrições para se ter acesso ao exame de admissão custaram 4.500 kwanzas. Depois da inscrição, os candidatos que obtivessem notas positivas pagavam 7.500 kwanzas para confirmar a matrícula. Este ano, além de acrescentar 500 kwanzas à taxa de inscrição (4.500 para 5.000), o ISPT está a cobrar 10 mil kwanzas para a confirmação, ao contrário dos 7.500 praticados no ano anterior.


O NG não obteve sucesso na tentativa de ouvir os responsáveis do ISPT sobre as razões da alteração dos preços. No entanto, enquanto os ‘tocoístas’ não falam, a Universidade Católica de Angola (UCAN), outra instituição que subiu a propina, justifica a medida com a “liberdade de se adaptar à conjuntura”. Anunciada em Dezembro, a alteração do preço da propina (de 35 para 37 mil kwanzas) chegou a gerar uma manifestação junto das instalações da UCAN. ‘Comandados’ pelo presidente da associação dos estudantes, Henrique Ngolome, as dezenas de estudantes entendiam que o valor “não se justificava”. Garantiram ter feito um estudo em que se concluiu que 67 por cento dos estudantes da UCAN tem uma renda mensal abaixo dos 40 mil kwanzas. Por conseguinte, referiram, a subida para 37 mil obrigá-los-ia a “sobreviver com três mil kwanzas num mês”.


Em entrevista ao NG, a vice-reitora para os assuntos académicos da UCAN minimizou a possibilidade de os estudantes se voltarem a manifestar, agora que está confirmada a subida da propina. Maria Helena Miguel explica que o aumento é uma das formas de a universidade conseguir “sustentar-se”, sendo este último aspecto um “problema muito sério que as pessoas precisam também de compreender”. A responsável garante, no entanto, que não haverá alterações noutros emolumentos, estando a subida limitada apenas à propina.


‘MEXIDAS’ NAS PÚBLICAS

Há cerca de dois anos, a Universidade Agostinho Neto (UAN) alterou o valor da inscrição de dois para quatro mil kwanzas, sendo que, para quem se inscreve em dois cursos, ao invés de pagar oito mil kwanzas, paga seis mil. A mesma medida foi adoptada pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED de Luanda) em 2016, embora com a diferença de aqui se ter cobrado oito mil kwanzas para quem se inscrevesse em dois cursos. A medida, bastante contestada pelos estudantes, sofreu algumas alterações neste ano. A instituição está a cobrar seis mil kwanzas aos que se inscrevem em dois cursos e quatro mil para quem concorre em apenas num.


Pedro Miguel, chefe do centro de documentação e investigação do ISCED de Luanda, garante que a medida é “definitiva” e que não haverá “recuos” como no ano passado, em que a directora-geral do ISCED, Esperança Peterson, ordenou a devolução da metade do valor cobrado aos estudantes durante a inscrição, mantendo a taxa de dois mil kwanzas. “Os preços são os mesmos que aparecem nos folhetos informativos”, refere, garantindo que não haverá alteração nos 15 mil kwanzas de propinas cobrados no período pós-laboral.

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