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No Kuito

Um hospital com mil males

Por Alberto Olímpio


Fissuras nas paredes, bolor, falta de medicamento e excesso de doentes são algumas das dificuldades que o hospital da capital do Bié atravessa. O governo provincial promete construir uma nova unidade, mas não diz quando.


O hospital central do município do Kuito, a maior unidade sanitária de referência do Bié, já não oferece condições para internamentos, além de ter insuficiência de casas de banho. Os pacientes são obrigados a travar uma “guerra forte contra os mosquitos” que se instalaram nos quartos, em consequência do bolor que se formou nas paredes.


A unidade hospitalar existe desde o tempo colonial e actualmente enfrenta vários problemas, desde fissuras e infiltrações nas paredes, provocadas pelas águas das chuvas. O governo provincial já procedeu a várias intervenções, com obras de requalificação, mas as condições ainda estão longe das expectativas.


O hospital regista números que ultrapassam a sua capacidade e não já consegue responder à procura numa zona em que a população cresceu bastante nos últimos anos. As fossas não possuem a capacidade de absorção dos resíduos sólidos, além de outros problemas que grassam àquela instituição hospitalar. As dificuldades do hospital são reconhecidas pela própria directora, Mariana Fernanda, que, em declarações ao NG, acrescenta que os problemas “não passam somente por questões de estruturas”. A insuficiência de quadros e as dificuldades na aquisição de materiais gastáveis são outras questões que preocupam esta responsável.


Na hemoterapia, segundo apurou o NG, apesar de haver boa vontade da parte dos doadores, não há suficiência de bolsas para o armazenamento de sangue.


O governador do Bié, Álvaro Manuel de Boavida Neto, também reconhece as dificuldades e promete que, nos próximos tempos, será construído um novo hospital central que poderá proporcionar melhor qualidade e prestação de serviços hospitalares, e assegurar um atendimento personalizado aos pacientes.


Álvaro Manuel de Boavida Neto não avança datas para o início da construção das obras, porém, fez saber que, caso se concretize a construção de um novo hospital, o actual será requalificado e poderá funcionar como um centro materno-infantil.


Para minimizar a carência na vertente ambulatória, o governo provincial entregou recentemente uma ambulância, para reforçar as duas já existentes, e Boavida Neto encorajou os profissionais a “continuarem a trabalhar com afinco e determinação, mesmo com dificuldades, com vista a minimizar as necessidades da população”.


Mariana Fernandes, por sua vez, assegura que têm sido definidas prioridades, dando primazia a aquisição de alimentação, fármacos e outro material, com especial atenção aos pacientes desfavorecidos, incapazes de comparticipar, dada a sensibilidade e a urgência dos casos.


No ano passado, a unidade hospitalar atendeu mais de 140 mil doentes em regime ambulatório. Destes, mais de 12 mil ficaram internados, sendo a pediatria a que teve maior afluência, com 53 por cento de internamentos.


O hospital é assegurado por 32 médicos divididos em diferentes áreas, e conta actualmente com 20 técnicos licenciados em enfermagem.

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