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Festival de teatro durante o fim-de-semana no Palácio de Ferro

12 grupos, 12 peças

Por Pihia Rodrigues


A Fundação Sindika Dokolo organiza um festival de teatro que decorre durante todo o fim-de-semana. Participam 12 grupos e a organização confia em ter a casa cheia nos três dias.


A Trienal de Luanda realiza, a partir de hoje até domingo, o Festival de Teatro Angolano (FESTA), no Palácio de Ferro, na Mutamba, em Luanda, com entradas livres. O evento congrega 12 grupos de teatro com três exibições diárias num total de 12 peças, durante quatro dias. O projecto está a ser coordenado por Raul Rosário, actor e produtor da reconhecida companhia de teatro Elinga-Teatro, e com assistência técnica de Veroz Costa.


Esta primeira edição é experimental e os responsáveis garantem dar sequência nos próximos anos, com uma periodicidade anual, explica o coordenador ao NG, por isso a ausência de grupos de outras províncias, cuja participação “requer outro tipo de logística”, mas garante que, nas próximas edições, serão incluídas companhias de teatro fora de Luanda.


Raul Rosário está confiante numa adesão significativa do público para o evento que vai ter lugar das 19h:00 às 23:30, com entradas livres. “Depois de ter assistido com satisfação ao teatro apresentado ao longo desta III Trienal de Luanda, concluí que houve muita adesão do público”, confessa em entrevista ao NG.


O actor justificou pelo facto de o movimento do teatro, nos últimos tempos, evoluir ao ponto de cada grupo criar o seu próprio público, “por causa da carência de salas de espectáculos nos bairros, os grupos criaram núcleos nessas zonas”. “Esse público, juntando com o habitual da trienal, garante o sucesso até porque passarão nos palcos cinco grupos com prémio nacional cultura e artes: Julu, Pitabel, Miragens, Etu Lene e Elinga, ou seja, estamos a falar de pesos pesados”.


Os grupos foram seleccionados em função da consagração e número de prémios e da presença nas edições da trienal. Outros critérios passaram pela apresentação de inovações estéticas. Outro critério foi ‘tempo-espaço’, que justifica a impossibilidade de congregarem todos os grupos em pouco tempo. Raul Rosário garantiu também estarem preparadas as condições de transporte do público que não se puder deslocar até à Mutamba para assistir às peças de hoje a domingo. Há autocarros em diferentes pontos da cidade, como, aliás, têm dado apoio aos concertos no Palácio de Ferro.


O Ministério da Cultura apoiou o projecto, juntando-se à Endiama, Unitel e ao Banco Atlântico, que já apoiam a III Trienal de Luanda.
O mentor da Trienal de Luanda e vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo, Fernando Alvim, confirmou, em nota enviada ao NG, que os eventos, que hoje recomeçam, decorrem até 30 de Junho. O responsável garante que os concertos musicais, a dança, as exibições de artes visuais, a literatura, o projecto Educação, bem como as demais manifestações artísticas habituais da Trienal de Luanda, terão continuidade, a partir da próxima semana.


Teatro para todos

As sessões no festival decorrem entre as 19h:00 e às 23:30 e nos palcos montados no Palácio de Ferro. As exibições abrem com a peça ‘Pedro e o Capitão’, obra traduzida, encenada e interpretada por Meirinho Mendes do Núcleo Experimental de Teatro (NET) da Fundação Sindika Dokolo, que contracena com Correia Adão, actor do Elinga-teatro. A peça aborda o “confronto ideológico entre dois seres humanos com ideias políticas e pensamentos diferentes onde o torturador cria uma dependência com o torturado”.


Segue-se a peça ‘Violência doméstica’ do grupo Julu e ‘O resultado’, que retrata a problemática do VIH, do grupo ‘Amor a arte’.
Na sexta-feira entram em cena ‘E lá fora os cães’, baseada no livro de Nguimba Ngola, encenada pela Companhia de Teatro Kelga, ‘La equacion’, da companhia de teatro ‘Estrelas de África’. A seguir é apresentada a peça ‘O preço do fato’, que espelha as contradições entre tradicional e o moderno, do grupo Pitabel. Já no sábado, será exibida pelo Elinga Teatro a obra baseada num poema de Agostinho Neto em ‘O grito’.


Depois é exibido ‘Kassinda não volta atrás’ da companhia de teatro Nguizane Tuxicane, e ‘A filha do bruxo’, do grupo Julu. Para domingo, estão reservadas ‘O guerrilheiro Chorão’, da Companhia Semente Viva, ‘Louco por mulheres’, do grupo Miragens, e ‘O Feiticeiro e o inteligente’ da Companhia Etu Lene.


A III Trienal de Luanda teve início a 01 de Novembro de 2015 e vai até 30 de Junho, sob o lema ‘Da utopia à realidade’. O patrono da fundação, Sindika Dokolo, considera a Trienal de Luanda como “um símbolo de liberdade, um espaço para alargar o espectro do diálogo cultural”.

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