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Ministro Luís Gomes Sambo admite dificuldades

Saúde vista ao ‘raio X’

Por Teresa Fukiady   /  Foto Manuel Tomás


Melhorar a logística dos medicamentos e os serviços prestados e apostar na investigação foram alguns reparos que o ministro da Saúde fez ao sector. Os diagnósticos dos surtos também passaram pelas preocupações de Luís Gomes Sambo que, no entanto, admitiu desconhecer a proposta para a construção de uma fábrica de medicamentos aprovada pelo Presidente da República


Luís Gomes Sambo defende a necessidade de se melhorar a gestão do sistema de logística de medicamentos e equipamentos. Nos últimos meses, as queixas de falta de medicamentos nos hospitais voltaram à tona. Mas o ministro assegura que o problema fundamental não é a falta, mas a forma como é gerida a distribuição dos medicamentos adquiridos. “As pessoas não têm conhecimento daquilo que têm nos armazéns. Não gerem bem e depois criam frustrações a alguns doentes que acabam por sair sem o medicamento”, lamentou.


O responsável fez estas declarações durante uma conferência de imprensa, realizada na semana passada, em Luanda. Para solucionar o problema, Luís Gomes Sambo garantiu que foi concebido um novo modelo de organização da cadeia logística de medicamentos, que vai facilitar com que se compre o que realmente se precisa e a preços competitivos no mercado internacional. “É um sistema muito complexo que requer tempo para o diagnóstico, concepção e desenvolvimento do novo sistema”. E ainda que o Ministério já começou a rever a situação e que já dá sinais de melhoria em algumas unidades sanitárias. “Temos de melhorar o sistema e as ferramentas de trabalho. Estamos a reciclar o pessoal para ver se temos uma melhor resposta no que toca os medicamentos”, acrescentou.


Com mais de 95 mil milhões de kwanzas no Orçamento Geral do Estado (OGE) disponibilizados para a saúde, o ministro entende não ser “suficiente”, mas o “possível”. E há planos para que, no futuro, se passa aumentar essas verbas.


Luís Gomes Sambo reconhece a necessidade de se melhorar a qualidade e o desempenho dos profissionais de saúde. “Devemos melhorar a distribuição dos especialistas de acordo com a vocação de cada uma das unidades sanitárias e há perspectivas de se enquadrar médicos em todos os municípios sem excepção”. O ministro prometeu enquadrar 1.200 médicos.


A municipalização dos serviços de saúde e investigação foram apontados como prioritários. “Não podemos melhorar em termos de qualidade sem fazermos a investigação que é uma componente importante da formação e da assistência médica” e que é preciso estimular, criar departamentos de investigação para que se tenha cientistas angolanos e que procuram soluções para os nossos problemas”.


Além de criticar, o ministro elogiou os hospitais de referência e gerais por prestarem cuidados de qualidade à população. “Em termos de infra-estruturas e equipamentos temos uma rede sólida”.


Luís Gomes Sambo revelou estar a trabalhar com o Ministério da Agricultura no programa de vacinação, garantindo “não haver falta de vacinas”. “Nos últimos oito meses foram investidos cerca de 40 milhões de dólares em vacinas”, revelou.


No ano passado, o surto de febre-amarela atingiu 16 províncias e foram registados mais de 4.500 casos dos quais mais de 800 foram confirmados e 384 mortes. O surto de malária foi dos piores. Foram mais de quatro milhões de casos e 15 mil óbitos, esclareceu Luís Gomes Sambo, admitindo a “sobrecarga” no Serviço Nacional de Saúde.


No mais recente surto, o da cólera, foram detectados mais de 250 casos e 11 óbitos, no Zaire, Cabinda e Luanda. De zika foram registados três casos e uma criança com microcefalia. Em breve, vão chegar técnicos brasileiros para trabalharem no combate ao zika. “A maior parte do recurso que precisamos temos no país. E preciso melhorar o saneamento, o lixo e a qualidade da água”, advertiu o ministro.


Ministro desconhece fábrica

A 16 de Setembro do ano passado, o Presidente da República aprovou a construção de uma fábrica de medicamentos, soros e material gastável. Questionado sobre o investimento, o ministro limitou-se a admitir que o desconhecia. “Não sei de quem é o investimento. O Ministério da Saúde não tem nenhum investimento na área da produção porque pensamos que não é vocação do Estado. Deve ser privado”, justificando que o “Ministério tem a responsabilidade de regulação e controlo de qualidade”.


No decreto, o Ministério da Saúde é autorizado a celebrar o contrato com a empresa Labopharma Helthcare S.L no valor de mais de 50 milhões de dólares. De acordo com o ministro, Angola vai continuar a importar medicamentos por muito mais tempo, porque a capacidade de produção farmacêutica é “insipiente”. “Temos apenas uma fábrica, a Nova Angomédica, que foi recentemente privatizada. Há outras iniciativas. Mas há exigências técnicas muito rigorosas para construir uma fábrica e estamos a dar as recomendações aos investidores”.

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