PT

Líder do Santa Rita culpa a polícia por não ter facilitado a entrada

Tragédia no Uíge investigada

Por Raimundo Ngunza


O presidente do Santa Rita de Cássia, Nzolani Pedro, culpa a polícia por não ter largado o cordão de segurança no estádio do Uíge. O Presidente da República mandou instaurar um inquérito ao incidente que fez 17 mortos e cerca de 60 feridos. As vítimas mortais foram a enterrar esta semana. De quase todo o mundo, chegaram mensagens de solidariedade


As 17 vítimas mortais do acidente que antecedeu o jogo inaugural da 39.ª edição do Girabola foram a enterrar durante esta semana.
Até segunda-feira, 12 das 17 vítimas tinham sido sepultadas no cemitério municipal, enquanto outros foram sepultados em diversos cemitérios da periferia do Uíge e nos municípios do Songo e Mucaba.


Tudo aconteceu à entrada do estádio, que recebia o jogo entre o estreante Santa Rita de Cássia e o Recreativo do Libolo, a contar para a primeira jornada. Além de 17 mortos, cerca de 60 adeptos ficaram feridos. O presidente do clube do Uige acusa a polícia de “não ter garantido o cordão de segurança em volta do acesso ao recinto”. Em declarações ao NG, Nsolani Pedro garante que “ninguém, dentro do estádio, se apercebeu do que se passou no exterior” e que ele próprio só soube da tragédia depois do final do jogo quando foi saudar o comandante da polícia. O presidente do clube justifica os acontecimentos com a vontade dos adeptos de verem o jogo, mas que o estádio não oferece condições para receber tanta gente. Por isso, o líder do Santa Rita aconselha as autoridades desportivas a “olhar mais pela província” e defende a construção de um estádio com padrões internacionais.
Depois da tragédia e sem citar nomes, Nsolani Pedro desconfia que há pessoas se aproveitarem-se da situação, de forma a denegrir o clube, a província e o país.


Ninguém sabe o que se passou de concreto, mas Carlos Fernando, da Associação Provincial de Futebol do Uíge, garantiu, ao NG, que os portões do estádio não caíram, mas que a tragédia ocorreu quando vários adeptos “tentaram invadir um dos portões de acesso ao estádio para entrar, tendo muitos deles caídos, pisoteados e asfixiados”. Entre as vítimas, encontrava-se Ferreira Dembo, um miúdo com 13 anos, atleta do escalão de iniciados da Santa Rita que pretendia ver a equipa sénior em acção.


Bilhetes a mais

O comentador desportivo e apresentador do programa ‘Quintal dos Desportistas’, Carlos Pacavira, da Rádio Cinco, no programa emitido no sábado, assegurava ter informações de que a direcção do clube tinha posto à venda sete mil bilhetes. Nsolani Pedro rejeita o teor dessas informações, considerando-as “falsas” e garante que o clube comercializou 2.850 mil bilhetes. De acordo com o dirigente, foram cumpridos com todas as regras, como o sistema de segurança com a presença da Cruz Vermelha, bombeiros e o policiamento. O estádio ‘4 de Janeiro’ tem a capacidade de 12 mil lugares.


FAF pede calma

O vice-presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Dealdino Balombo, que se deslocou no Uíge para averiguar a situação e prestar a solidariedade às famílias enlutadas, entende ser “cedo e precipitado” tirar conclusões. Dealdino Balombo aconselha que “não se tomem decisões por emoções” e alega “existirem muitas informações desencontradas que devem ser aclaradas e promete apresentar as razões que estiveram na base deste infausto acontecimento.


Inquérito e solidariedade internacional

O Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, ordenou a instauração de um inquérito para apurar as causas do incidente. O governador, Paulo Pombolo, prometeu divulgar os resultados do inquérito hoje, quinta-feira, e punir os responsáveis pelo sucedido. José Eduardo dos Santos ainda instruiu o governo provincial a dar todo o apoio às famílias das vítimas. A tragédia do Uíge saltou as fronteiras. Várias mensagens de solidariedade foram enviadas para Angola, com o destaque para o presidente portiguês, Marcelo Rebelo de Sousa, e instituições como a Federação Internacional de Futebol (FIFA), a União Europeia de Futebol (UEFA), embaixadas e de clubes de vários países europeus a africanos. As ligas europeias de futebol fizeram um minuto de silêncio, antes dos jogos de fim-de-semana, e as federações também manifestaram sentimento de pesar.

» LEIA TAMBÉM

» Deixe o Seu Comentário