PT

Distâncias e falta de professores afectam ensino no Kwanza-Norte

Velhos problemas, com novas promessas

Por André Kivuandinga  /  Foto Mário Mujetes


No Kwanza-Norte existem escolas em aldeias que funcionam apenas com um professor. Noutras, as crianças percorrem longas distâncias a pé para terem acesso a escolas de nível mais avançado. A direcção da Educação, em colaboração com parceiros, está construir escolas mais próximas e enquadrou este ano mais de 200 professores.


A falta de escolas e de professores e as distâncias percorridas pelos estudantes são problemas com que as autoridades do Kwanza-Norte se debatem e que prometem melhorar nos próximos dias. Estudantes percorrem longas distâncias para terem acesso às escolas das classes mais avançadas e, em algumas semanas, ficam sem aulas por “falta” de professores que “não se deslocam” por não terem dinheiro para o táxi. Há professores que se recusam a permanecer nas aldeias, onde estão destacados por “não existirem” residências, bancos e serviços de telecomunicações.


Na aldeia da Kissecula, a única escola lecciona apenas da iniciação a 4ª. classe. Para as classes da 6.ª A 9.ª os alunos percorrem 18 quilómetros diários, com ou sem táxi, revela Teresa Paulo, residente da aldeia. Nesta escola, os alunos, às vezes, ficam uma semana “sem aulas”, porque os professores não aparecem, por “falta de táxi”.


O estudante da 8.ª classe, Mateus Júlio Daniel, é um exemplo de quem percorre os 18 quilómetros diários para estudar, mas nem sempre as deslocações têm surtido o efeito desejado. Chega à escola, mas os professores “não aparecem”. Naquelas matas, regressa a casa com a certeza de que amanhã voltará a fazer o mesmo percurso. Félix Bernardo Cordeiro, encarregado de educação, salienta que os professores enfrentam a mesma “dificuldade” que muitas crianças da aldeia: as longas distâncias. Situação que os faz, às vezes, “não aparecerem” e as crianças ficarem “sem aulas”.


O director da Educação do Kwanza-Norte, David Bindanda Ferreira, garante que, nos últimos dias, conseguiu resolver o problema das crianças que estudavam em tendas e está a diminuir o número de escolas com salas precárias. Em alternativa, a direcção provincial construiu escolas, que poderão ser inauguradas, em Abril. Nas obras, contou com o apoio do Fundo de Apoio Social (FAS).


Quanto às distâncias percorridas pelos professores, David Bindanda Ferreira salienta que quando são realizados os concursos públicos, os professores indicam os municípios nos quais vão trabalhar e as guias são distribuídas de acordo com a pretensão de cada um. “O problema da deslocação é pessoal e não da responsabilidade da direcção da Educação, mas também nunca recebemos reclamações dos professores”, frisou.


Para minimizar a situação, foram recrutados 280 professores que começaram a ser colocados em localidades desde a semana passada, depois de participarem num seminário metodológico. “Estamos a reduzir as distâncias percorridas pelas crianças, há aldeias em que as escolas foram recriadas, quando há poucas crianças a frequentar o ensino primário, adaptá-las para o segundo ciclo”, ilustrou.


Em Cambande, recentemente, o administrador, Francisco Manuel Diogo, não escondeu a indignação por haver professores que se recusam a trabalhar em comunidades rurais, por alegada “inexistência” de condições. Os argumentos apresentados pelos professores, segundo o responsável, “são inconsistentes” já que as novas escolas têm as mínimas condições de acomodação e promete elaborar um modelo para fiscalizar e “disciplinar os professores faltosos”.


JARDIM NA ESCOLA


Este mês, a direcção da Educação começa a implementar projecto ‘Minha escola, meu jardim’, que visa colocar jardins em todas as escolas. A primeira fase inicia-se com duas escolas, na escola de formação de professores e do ensino especial e posteriormente será expandido para outras. Os alunos vão aprender a importância de terem uma planta em casa e os responsáveis das escolas serão formados para melhor tratarem das plantas que estarão nos jardins, de forma a criar hábitos para respeitar o ambiente. O projecto tem o apoio da escola agréria do Kwanza-Norte e de especialistas da agricultura.


ENSINO DO KWANZA-NORTE EM NÚMEROS


λ 1.711 salas de aulas
λ 142.000 alunos
λ 5.000 professores
λ 810 professores que podem ser recrutados
λ 280 professores recrutados este ano.


PROFESSORES SEM SALÁRIOS


No Kwanza-Norte, 1.510 professores ficaram alguns meses sem salários, devido a um problema informático. O director provincial da Educação, David Bindanda Ferreira, garante que a situação já “está ultrapassada” e que os professores vão receber os salários este mês. David Bindanda Ferreira identifica o erro como sendo do Ministério das Finanças. Segundo o responsável os professores foram retirados “bruscamente” das folhas de salários pelo Ministério das Finanças, devido a um “problema” técnico que em nada tinha que ver com a instituição que dirige, porque também foi apanhado de “surpresa”.

» LEIA TAMBÉM

» Deixe o Seu Comentário