PT

Docentes contentes com a demissão de Adão do Nascimento

SINPES dá tréguas ao Ministério

Por Onélio Santiago


Uma delegação do Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior (SINPES) reuniu-se na semana passada, em Luanda, com o novo ministro do Ensino Superior (MES), António Miguel André, para obter respostas sobre os nove pontos contantes do caderno reivindicativo entregue ao MES em 2016.


À saída do encontro, que decorreu à porta fechada, o primeiro-secretário académico do SINPES para Luanda-Bengo referiu que, entre outros aspectos, a reunião serviu para analisar como se podiam superar os problemas de atraso nos subsídios, na implementação do seguro de saúde, bem como o cumprimento da legislação sobre o ensino superior em Angola, que recomenda, por exemplo, que os reitores e decanos sejam eleitos. Carlinhos Zassala mostrou-se “bastante congratulado com a nova forma de pensar” entre o SINPES e o MES, garantindo que, se tudo der certo, o “fantasma da greve poderá ser afastado”. Segundo este docente, o ex-ministro do Ensino Superior, Adão do Nascimento, era o “principal entrave” para a resolução dos problemas que afectam os docentes universitários. “O antigo ministro hostilizou a classe académica. Fez com que alguns reitores e decanos passassem a olhar para o SINPES como um partido da oposição”, lamenta Carlinhos Zassala, assegurando que, neste momento, “o clima é diferente”.


‘CASA’ DEVOLVIDA
Embora o SINPES e o MES tivessem estabelecido o prazo de 60 dias para a resolução dos problemas, um dia depois do encontro da semana passada, um dos nove pontos do caderno reivindicativo foi resolvido. Trata-se da devolução da sede do SINPES, que funcionava num centro social de acolhimento de estudantes da Universidade Agostinho Neto (UAN), e foi encerrada em meados de 2014 de “forma arbitrária”, segundo secretário-geral nacional do SINPES. Eduardo Peres Alberto, que também elogia a “cultura de diálogo” do novo responsável pelo MES, reconhece que “ainda há muito” por se fazer pelos docentes universitários, pelo que a greve “continuará interpolada, mas não levantada”. “A qualquer momento, se não houver soluções e os colegas docentes assim decidirem, a greve deverá ser despoletada.”

» LEIA TAMBÉM

» Deixe o Seu Comentário