PT
Emídio Fernando
Editor Executivo

Mexicanização


Muitos teóricos políticos e ligados à sociologia identificam os anos de ‘brasa’ que África vai atravessando, como estando a atravessar o período ‘negro’ idêntico ao vivido pela Europa, noutros séculos, em que predominava todo o tipo de violência e barbaridades.


Há historiadores, sobretudo os da velha escola francesa, que preferem colocar a actual situação africana com o arrojo dos países da América Latina, quando ascenderam às independências. As violações dos direitos, a corrupção, o ‘caudilhismo’ e as influências das igrejas, sobretudo as católicas, prevaleciam.


Nem tantas trevas europeias, nem tanto fervor latino-americano estão presentes em África, mas cada país acolhe experiências dos dois lados. Uns com mais próximos das trevas, outros dos latinos.


Quem ler os relatos, publicados em vários livros, dos anos que se seguiram à proclamação da independência no Brasil encontra terríveis semelhanças com a Angola dos nossos dias. As diferenças estão nos detalhes tecnológicos. Brasil, em 1822, teve os mesmos debates, os mesmos problemas, as mesmas ‘makas’ de Angola quase 200 anos depois. Não só como a sociedade estava desenhada, mas também como se geria a política.


Na América Latina, há ainda o México. O Partido Revolucionário Institucional (PRI) esteve no poder durante 71 anos. Perdeu as eleições, voltou a recuperar a governação. Durante os anos de ausência, o país esteve perdido, quase ingovernável. Tudo porque o PRI, durante os de 70 anos anteriores, criou uma rede de clientelismo e de dirigismo que bloqueou quem governava e abriu as portas ao regresso dos ‘revolucionários’.


O PRI impôs um regime paternalista, vertical, autoritário, respeitador das hierarquias, de obediência à chefia, pouco criativo, em que o presidente tudo comanda, da acção mais pequena numa comunidade às grandes decisões estratégicas do país.

A história ensina-nos que, muitas vezes, quase tudo se repete. É bom recordar que, no caso de Angola, o MPLA já soma mais de 40 anos de governação.

» LEIA TAMBÉM

Resignação
Emídio Fernando
Editor Executivo
Até sempre
Emídio Fernando
Editor Executivo

» Deixe o Seu Comentário