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RDC

Oposição protesta contra presidente

Por Redacção


A convocação da oposição para que os moradores de Kinshasa ficassem em suas casas para exigir a saída do presidente Joseph Kabila paralisou, na segunda-feira, a capital da República Democrática do Congo (RDC), apesar de as autoridades terem pedido aos moradores que não aderissem à greve.


Segundo a Agência Efe, polícias e militares armados e alguns grupos isolados de jovens eram a única presença visível em muitas das ruas de Kinshasa. Grandes artérias da capital, como o normalmente movimentado bulevar Lumumba, ficaram praticamente vazias, e só veículos da polícia as percorriam para garantir a ordem. “Dizemos ‘não’ ao senhor Kabila. Ele deve sair, porque bloqueou as negociações”, disse Kabung wa Kabung, secretário-geral da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), partido de oposição que convocou a greve.


Wa Kabung referia-se às negociações entre o governo e a oposição para concluir os acordos de 31 de Dezembro e fixar uma data para as eleições na qual seria escolhido o sucessor de Kabila, que, segundo o compromisso alcançado, deveriam acontecer neste ano. O pleito deveria ter ocorrido em Dezembro do ano passado, mas o governo de Kabila o adiou indefinidamente com a alegação de que havia deficiências no censo eleitoral.


Kabila – que chegou ao poder em 2001 em substituição a seu pai, que foi assassinado – já ganhou duas eleições e a Constituição proíbe que ele concorra a um terceiro mandato. A oposição viu no adiamento do pleito uma manobra do presidente para evitar deixar o poder. Alguns grupos opositores assinaram em 31 de Dezembro um acordo com o governo no qual aceitavam que Kabila seguisse no Executivo até à realização de eleições, desde que a votação ocorresse em 2017. Mas as divergências entre as duas partes sobre a designação do primeiro-ministro e do presidente do Conselho Nacional de Acompanhamento do Acordo frustraram até agora a convocação. As negociações ficaram comprometidas na semana passada depois que a Conferência Episcopal da RDC decidiu deixar a mediação nas conversas. Os bispos justificaram sua decisão pela estagnação do diálogo, e pediram a Kabila que se empenhasse pessoalmente para encontrar uma solução. A UDPS avisou que vai organizar acções de protesto como a desta semana, para continuar a pressionar Kabila.

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