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Orçamentos, compras e contratações no estrangeiro

Partidos revelam trunfos da campanha

Por Valdimiro Dias   /  Foto Mário Mujetes

O processo de realização das eleições gerais entrou em ‘velocidade cruzeiro’, com o anúncio do Tribunal Constitucional (TC) da abertura das inscrições de candidaturas para aos partidos e coligações de partidos políticos, após a convocação do acto pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Com esta nova fase a antecipar desafios logísticos aos futuros concorrentes, a serem aprovados pelo TC, o Nova Gazeta consultou os principais partidos sobre o processo de preparação das campanhas.

No caso do MPLA, fonte ligada à logística do partido revelou que, para a fase da pré-campanha eleitoral, o mercado nacional tem sido a opção para a aquisição e produção do material de propaganda, como ‘t-shirts’, bonés e bandeiras, tendo como alternativa o mercado sul africano, “face à proximidade, mas também pelo preço e qualidade”. Em 2012, a opção tinha sido o mercado chinês, de onde o MPLA, agora comandado por João Lourenço, importara o material de propaganda “em condições mais económicas”.

Segundo a fonte do NG, o partido maioritário montou o seu ‘estado-maior’ no Complexo Futungo de Belas, onde trabalha uma vasta equipa de marketing envolvida na campanha eleitoral, com a presença de técnicos brasileiros, à semelhança do que ocorreu nas eleições anteriores.

Em 2008 e em 2012, o MPLA recorreu aos préstimos da empresa brasileira de marketing PROPEG, que destacou em Angola uma numerosa equipa, liderada pelo publicitário João Santana que, até recentemente, era o principal ‘marketeiro’ do Partido dos Trabalhadores no Brasil, tendo comandado as últimas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff à presidência daquele país.

A UNITA, por sua vez, ao que consta, desde 1992, por altura da realização das primeiras eleições, tem preferido confiar a preparação da campanha a empresas portuguesas. Mas, desta vez, fonte do partido garantiu que a organização liderada por Isaías Samakuva recebeu várias propostas de empresas brasileiras, portuguesas e inclusive de algumas anglófonas, estando todas em análise.

Contactado pelo NG, o secretário para os assuntos eleitorais da UNITA, Vitorino Nhani, declarou, no entanto, que, para o marketing político, “face à experiência acumulada de outros pleitos”, o partido vai contar com os seus quadros, sem descurar eventual contratação de expatriados, “devido à experiência mais avançadas em relação a Angola”.

Pelas contas avançadas por Victorino Nhani, a UNITA precisa, no mínimo, de 30 milhões de dólares, “para executar uma campanha razoável, à dimensão de Angola”.

O dirigente da UNITA considera que os valores disponibilizados para as duas últimas campanhas de 2008 e 2012 representam uma “gota no oceano”. Desta vez, o ‘galo negro’ quer “contar com os próprios esforços dos membros e amigos do partido para ajudarem nos problemas da campanha eleitoral”.
Nas eleições legislativas de 2008, cada partido apurado pelo TC recebeu um milhão e 200 mil dólares, valores que baixaram para os pouco menos de 800 mil em 2012. Nas primeiras eleições de 1992, a UNITA liderada então pelo seu fundador Jonas Savimbi declinou o valor de campanha financiado pelo Estado, suportando a totalidade da campanha.

Quanto ao material de propaganda, Nhani garante que foi encomendado no exterior para atender as necessidades da pré-campanha e da própria campanha, justificando a opção pelo estrangeiro “com as modalidades de pagamento, além de existir maior flexibilidade”. O responsável da UNITA reconhece, no entanto, que “internamente existem empresas com alguma capacidade e com certa qualidade”.
A CASA-CE, pelo seu porta-voz, Felix Miranda, refere que as actividades políticas até agora realizadas foram feitas com poucos recursos. Afirma que raramente usam meios de transporte para fazer deslocar os eleitores, muito menos oferecem banquetes. “Se nos derem um milhão ou dois de dólares, vamos contentar nos com isso e cada um de nós vai ter de se multiplicar para poder colmatar a dificuldade financeira”, desafia-se.

Félix Miranda indicou que a coligação vai recorrer ao mercado interno para o material da pré-campanha, mas admite importar na fase da campanha. “Neste momento, a recolha das assinaturas para a formalização das candidaturas constitui a maior preocupação que engaja todos militantes”, referiu o responsável da CASA, revelando que, “em termos substanciais, a campanha de marketing político foi concebida por membros da coligação que foram enviados ao exterior para formação neste domínio”.

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