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Por causa das greves

Houve apenas 54 dias de aulas no primeiro trimestre

Por Onélio Santiago  /  Foto Mário Mujetes

Em todo o ensino geral, no primeiro trimestre, houve apenas 54 dias de aulas dos 61 previstos no calendário do Ministério da Educação, devido às duas greves dos professores. Com este registo, houve directores de escolas que viram na “sobrecarga” aos alunos a maneira mais fácil de cumprir objectivos, enquanto outros temem nova paralisação por causa do ‘23 de Agosto’. Um alto responsável da Educação de Luanda garante, ao NG, que “não vai haver alteração ao calendário” por causa das eleições.

Durante o primeiro trimestre, cujas aulas decorreram entre 1 de Fevereiro e 5 de Maio, os alunos do ensino geral tiveram apenas 54 dias de aulas, dos 61 dias lectivos previstos pelo calendário académico do Ministério da Educação (menos sete dias), em consequência das greves. A estas ‘contas’, que excluem os sábados e domingos, tolerâncias de ponto e feriados, poderiam ainda ser subtraídos três dias porque, com a abertura oficial do ano lectivo a acontecer numa quarta-feira (1 de Fevereiro), muitas escolas só ‘arrancaram’ com as aulas na segunda-feira seguinte, a 6 de Fevereiro.
Por ter calhado num sábado, o ‘4 de Fevereiro’ (Dia do Início da Luta Armada) foi um feriado que não ‘interferiu’ no curso normal das aulas. Contudo, a 27 e 28 de Fevereiro e a 1 de Março, não houve aulas por causa do Carnaval.
Em Março, dos 23 dias de aulas, os alunos do ensino geral perderam dois, que foi o dia 1, de tolerância de ponto do Carnaval, e o feriado alusivo às comemorações do Dia Internacional da Mulher, assinalado no dia 8 de Março. No entanto, no final do ‘mês da mulher’, o Sindicato Nacional de Professores (Sinprof) organizou uma assembleia, em Luanda, em que foi anunciada uma greve. No encontro, realizado a 26 de Março, os mais de mil professores participantes decidiriam que a greve decorreria nos dias 5, 6 e 7 de Abril, tendo uma abrangência nacional. Na mesma semana em que decorreu esta primeira greve dos professores, houve o ‘4 de Abril’, o feriado Paz. Ou seja, na primeira semana de Abril, devido aos três dias de greve dos professores e ao feriado, houve aulas apenas no dia 3, numa segunda-feira.
Na terceira semana de Abril, voltou a haver uma nova paragem nos dias 13 e 14, quinta-feira e sexta-feira, por causa da Páscoa. Neste período, as escolas ligadas à Igreja Católica, por exemplo, tiveram mais um dia de pausa, que ocorreu a 12 de Abril, numa quarta-feira.
Alguns dias depois da paralisação provocada pela ‘semana santa’, os alunos do ensino geral voltariam a ter nova ‘balda’, porque os professores, insatisfeitos com a alegada “inércia do Governo”, convocariam uma nova greve. Anunciado a 22 de Abril, o protesto dos professores começou no dia 25. Estava planeado para ir até 5 de Maio, mas foi interrompido (a meio) pelas conclusões de um encontro entre o Sinprof e o Ministério da Educação (MED). No entanto, a suspensão desta greve não impediu que, em Abril, o ensino geral voltasse a ficar sem aulas nos dias 25, 26, 27 e 28.

Paragem nas eleições(?)

Com a última greve dos professores e com o feriado do ‘1 de Maio’ (Dia do Trabalhador), os alunos do ensino geral tiveram apenas quatro dias (2, 3, 4 e 5 de Maio) para fazer as provas que encerraram o primeiro trimestre. Por isso, houve escolas cujos directores persuadiram os alunos a fazer provas ao sábado. Há também casos de estudantes que foram à escola na segunda-feira reservada ao início da pausa pedagógica, a 8 de Maio. Por exemplo, na Escola de Formação de Professores ‘Garcia Neto’, mais conhecida por ‘IMNE Garcia Neto’, em Luanda, o director admitiu, em declarações ao NG, que os alunos foram “sobrecarregados um pouco” com a realização de duas provas por dia, incluindo sábado. Álvaro Aldemiro, cuja escola agendou para 22 de Maio a realização de determinadas prova do primeiro trimestre, explicou que se trata de uma “estratégia interna”, negando qualquer incumprimento às normas do MED. Sobre a organização do segundo trimestre, que coincide com a data em que foram agendadas as eleições gerais (23 de Agosto), Álvaro Aldemiro confessa que “ainda não há qualquer informação do MED”.
Outra escola cujos alunos tiveram de entrar no ritmo de duas provas diárias até sábado foi o Instituto Médio de Economia do Kilamba-Kiaxi (IMEKK). Ainda assim, Irene Costa, a directora-geral, entende que, “pedagogicamente, ter duas provas diárias não é nada complicado”, independentemente da disciplina em questão. À semelhança do director do ‘Garcia Neto’, a directora do IMEKK também está na expectativa do que deverá ocorrer com o calendário académico durante as eleições gerais. “O mês de Agosto está comprometido. O próprio Governo deverá talvez ordenar a suspensão das aulas, como nos anos anteriores”, vaticina Irene Costa, que garante continuar a respeitar o calendário aprovado no início do ano lectivo, enquanto não houver informações sobre como se deverá proceder durante as eleições.

CALENDÁRIO SEM ALTERAÇÃO

O inspector da Educação de Luanda, por sua vez, lamenta que “alguns responsáveis escolares não estejam atentos às orientações dadas durante a abertura do ano lectivo”. Lourenço Neto assegura que o calendário deste ano lectivo foi elaborado “tendo em atenção o período de eleições que vamos viver”. Segundo o inspector de Luanda, “não vai haver alteração ao calendário”, parando-se apenas para o dia da votação, a 23 de Agosto. De acordo com o calendário a que Lourenço Neto se refere, o período entre 14 e 25 de Agosto está reservado à pausa pedagógica do segundo trimestre. Ou seja, na quarta-feira em que os angolanos estiverem a votar, os alunos do ensino geral estarão a gozar o antepenúltimo dia de ‘férias’. Por isso, Lourenço Neto volta a reforçar: “Não haverá qualquer alteração ao calendário, pois tudo foi planeado de acordo com o período que se vai viver em Agosto.”
Sobre as escolas que marcaram provas ao sábado e/ou para depois do I trimestre, Lourenço Neto entende que se trata de um “procedimento extraordinário”, na medida em que as sucessivas greve dos professores “não estavam nas previsões dos responsáveis escolares”. “Qualquer acerto que se faça em prol de uma avaliação mais bem conseguida dos alunos não traz inconveniência nenhuma.”

DIAS SEM AULAS
Paragens em Fevereiro
Dia 27 e 28: feriado do Carnaval

Paragens em Março

Dia 1: tolerância de ponto do Carnaval
Dia 8: feriado do Dia Internacional da Mulher

Paragens em Abril
Dia 4: Dia da Paz e Reconciliação Nacional
Dias 5, 6 e 7: primeira fase da greve dos professores
Dias 14: feriado da Páscoa
Dias 25, 26, 27 e 28: segunda fase da greve dos professores

Paragens em Maio:
Dia 1: feriado Dia Internacional do Trabalhador

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