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OMS diz que voluntários deveriam ser a maioria

Hospitais dependem de sangue de parentes em 90%

Por Luís Morais e Elídio Mafesso  /  Foto Manuel Tomás

Os centros de hemoterapia dos hospitais do país dependem em mais de 90,5 por cento do sangue doado por familiares de pacientes, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que este número devia ser de voluntários permanentes e os restantes 10 por cento de familiares.

Os dados foram avançados, no Lubango, pela directora-geral do Instituto Nacional de Sangue (INS), Antónia Constantino, à margem das actividades que visaram saudar o dia do dador voluntário (14 de Junho). Segundo a médica, as províncias dependem essencialmente da “boa-vontade” dos familiares dos pacientes quando há necessidade de transfusões, facto que aumenta consideravelmente o risco de transmissão de infecções no seio familiar.

Ao apresentar a campanha nacional de sangue, que o INS leva a cabo, a médica referiu ser “vital” que se mobilizem dadores voluntários permanentes. A mobilização, como nota a responsável, deve ser antecedida de uma planificação, em cada província, acautelando-se uma logística “adequada”, que permita a centralização da produção de componentes de análise do sangue. Apesar de parecer “demasiado ambicioso”, a médica aponta que será necessário um aumento anual de 60 por cento dos dadores voluntários, durante cinco anos, para que o número actual de colheitas seja exclusivamente de voluntários. “Se pretendermos duplicar o número de colheitas em Angola e obter 100 por cento de dádivas voluntárias neste período, será necessário um aumento anual de dadores voluntários que actualmente rondam em 10,5 por cento”.

Antónia Constantino esclareceu que a taxa de suspensão de dadores nacionais (por todas as causas) foi de 20 por cento em 2013 e 2014, e que os critérios de suspensão terão de ser “rigorosamente implementados” em muitas províncias, o que será necessário considerar que o número de dadores inscritos deve exceder as necessidades mínimas de sangue em pelo menos 25 por cento.
Em 2013, a quantidade de sangue mínimo necessário, nas unidades sanitárias, rondava entre 154 mil e 300 litros, enquanto, no ano seguinte, seria de 134 mil e 813, segundo cálculos da directora do INS.

JMPLA e INS ‘doam vida’

A JMPLA, em parceria com o Instituto Nacional de Sangue (INS), realizou, na semana passada, em Luanda, uma campanha de doação de sangue ao Hospital Pediátrico David Bernardino. A actividade decorreu no pavilhão multiuso do Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), onde foram coletados mais de vinte e cinco litros de sangue. A iniciativa da organização juvenil do MPLA visou saudar o mês de Junho, dedicado à criança, e o Dia Mundial do dador de sangue que se assinalou ontem.

A secretária da JMPLA em Luanda para a promoção social e género, Rosa Severiano, avançou que a organização pretende mostrar aos jovens angolanos “que um gesto simples pode salvar vidas”, tendo explicado que “a meta é atingir maior quantidade de litros de sangue possível”, para apoiar o hospital pediátrico de Luanda. “Vamos estender a todos os pontos de Angola e pensamos levar a campanha de doação de sangue a todas as unidades pediátricas”, prometeu Rosa Severiano. Maria Suzano, chefe do departamento da Área de Qualidade do INS, declarou que uma das principais estratégias do Instituto passa por “aumentar a doação voluntária”, reduzindo a dependência da doação dos familiares de pacientes.

Suzano indicou que o ‘stock’ do INS “está baixo”, por isso convidou a sociedade a aderir à “campanha despertar consciência dos cidadãos” lançada em Abril. “Nesta época a incidência de casos de malária é bastante alta, estamos a viver o pico de malária e as pediatrias são as que mais consomem sangue. Estamos a realizar, por dia, 50 transfusões e precisamos de ter um stock maior”.

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