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No próximo ano

Vacina contra o cancro chega ao país

Por Teresa Fukiady  /  Foto D.R

Angola poderá introduzir, a partir do próximo ano, a vacina contra o cancro do colo do útero. A informação foi avançada por Alexandre José, da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP), durante a conferência internacional sobre a incidência do cancro em Angola, realizada na passada semana, numa parceria entre as universidades Agostinho Neto (UAN) e ‘Queen’s Belfast’ do Reino Unido.

A vacina já tinha sido anunciada em 2014 pelo antigo ministro da Saúde, José Van-Dunem, que tinha avançado que a mesma faria parte do calendário nacional de vacinação a partir de Março de 2015. Mas não passou da fase experimental.
A falta de dados sobre a doença faz com que não se tenha ideia sobre a incidência do cancro no país. “Angola não dispõe de muita informação. A magnitude da doença não pode ainda ser traduzida em números por vários motivos, como a insuficiência de recursos humanos, a falta de meios de diagnóstico e registo de cancro de base populacional”, admite Alexandre José, que garante que a DNSP, com o programa nacional de controlo do cancro, pretende contornar o cenário actual. Entre os objectivos do programa, constam a redução da mortalidade por doenças oncológicas, através da educação da população sobre os factores de risco. “Estamos a proceder ao recrutamento de quadros para o programa nacional de controlo de cancro e perspectivamos a formação e capacitação das pessoas que vão trabalhar no programa”, avança.
Alexandre José entende que os desafios do controlo do cancro são “significativos”, mas “não são impossíveis de se resolver”. “O processo deve começar com o reconhecimento do problema, com a prevenção da doença, disponibilidades de serviços de patologia e outros meios de diagnósticos.”
Em Angola, o único hospital especializado no tratamento contra o cancro, o Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC), regista anualmente uma média de 1.900 novos casos. O cancro da mamã lidera os casos, seguido do colo do útero com mais de 100 casos por ano. Dados do instituto mostram que cerca de oito por cento da população registada com cancro está abaixo dos 30 anos.
Miguel Oliveira, director do IACC, revela que mais de 70 por cento dos casos de cancro que chegam àquela unidade hospitalar chegam em estádio muito avançado. “Se isso acontece é porque as fases do programa não funcionam bem.”
Consta do programa nacional de luta contra o cancro consciencializar a população sobre o cancro, reduzir o risco do cancro por meio da prevenção dos factores de risco, implementar e divulgar programas de rasteio de cancros previníveis. E garantir os direitos dos pacientes e seus familiares e melhorar a sua condição de vida bem como conhecer o real quadro epidemiológico do cancro em Angola.

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