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Falta de bancos atrasa Chipindo

Por Luís Morais, no Lubango  /  Foto D.R

Um dos mais destruídos pela guerra, o município de Chipindo dista a 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango, Huíla, e está desprovido de tudo, incluindo de serviços financeiros. A solução está noutra província, Huambo.

Chipindo é o mais isolado dos restantes 13 municípios da Huíla e não tem uma única agência bancária. Os trabalhadores, comerciantes e a população, em geral, têm de se deslocar ao Huambo para realizar operações bancárias, desde levantamento de salários, pagamentos e transferências. A viagem não dura menos de duas horas, tendo em conta a degradação da via, mas, ainda assim, é a melhor alternativa. Se a opção fosse Lubango, a capital da província a que Chipingo pertence, o acesso aos bancos ficaria a uma viagem de 10 horas, como calcula o administrador municipal, Daniel Salupassa, que também passa pelo mesmo “sacrifício”.
O administrador do Chipindo explica que, por altura do pagamento dos salários da função pública, as direcções municipais têm de dispensar os trabalhadores por um período de cinco dias para que os mesmos consigam fazer o levantamento dos ordenados, situação que tem criado embaraços ao funcionamento das instituições públicas.
Segundo Salupassa, a sua administração já manteve contactos com algumas instituições bancárias, principalmente o Banco de Poupança e Credito (BPC), no sentido de colocar um balcão, mas os responsáveis alegam o mau estado das vias e a falta de segurança.
O administrador lança assim um apelo às autoridades a níveis superiores para que a questão das vias (rodoviárias e de telecomunicações) seja resolvida, porque a exclusão financeira “tem emperrado o crescimento do município, e sem bancos não há desenvolvimento”.

OBRAS PARALISADAS HÁ DOIS ANOS

A ligação com o resto da província da Huíla é feita, actualmente, pela província do Huambo, através do Cuima, pela barragem do Gove, o único troço possível para se chegar a Chipindo. Mas a situação tem criado “sérios embaraços” aos munícipes e inibe os comerciantes de investir na localidade.
Há cinco anos, começou a construção de uma estrada com 96 quilómetros de extensão, que ligará Chipindo ao município da Caconda, também da Huíla, atravessando o rio Cunene, mas as obras, adjudicadas à empresa PLANASUL, paralisaram há dois, por dificuldades financeiras, segundo o administrador Daniel Salupassa, que indicou, entretanto, estarem já asfaltados 60 quilómetros, havendo a promessa de serem retomadas nos próximos meses.
Com um orçamento global de 74 milhões de dólares, a empreitada chegou já à comuna do Gungui, município de Caconda, e, desse ponto para a sede do Chipindo, “já não falta muito”. Na obra, foram construídas três pontes, uma das quais com mais de cem metros sobre o rio Cunene. Além do asfalto e de lancis, já há sinalização numa extensão de 58 quilómetros. A desmatação nos restantes seis quilómetros, até à margem do rio Cunene, também está concluída.
Até ao momento, a alternativa ao percurso do Cuima, Huambo, seria a via do ‘Quilómetro 50’, pelo Kuvango, um percurso de mais de 200 quilómetros que é, entretanto, evitado por automobilistas, face ao elevado nível de degradação.
Um dos mais destruídos pela guerra e desprovido de quase tudo, o município de Chipindo dista a 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango, Huíla, e tem uma população estimada em mais 85 mil habitantes.

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