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Eleições nas federações desportivas

Dirigentes em ‘guerra’ administrativa

Por Raimundo Ngunza  /  Foto Santos Samuesseca

O processo eleitoral nas federações de Jiu- Jitsu e desportos náuticos continua sem solução. Nas lutas, o candidato derrotado, Ndongala Kiala, protestou contra a validação das eleições, enquanto nos desportos náuticos, os dois candidatos recusam-se a trabalhar juntos, após registarem-se dois empates consecutivos. Egas Viegas, advogado desportivo, apela ao bom senso dos dirigentes.

Após a aprovação da nova legislação desportiva, sobretudo a Lei do Desporto e a Lei das Associações Desportivas, as federações e as associações desportivas foram obrigadas, pela direcção nacional de política desportiva do Ministério da Juventude e Desportos, a realizar os processos eleitorais até 31 de Dezembro do ano passado, mas alguns não foram concluídos. É o caso da Federação Angolana de Jiu Jitsu, que está sem presidente de direcção desde as eleições de 10 de Dezembro do ano passado.
Nzuzi Ndombaxi, último líder máximo desta instituição, foi o vencedor das mais recentes eleições, mas o seu adversário, Ndongala Kiala, impugnou a validação dos resultados. E a solução foi a criação de uma comissão de gestão, eleita na última semana de Maio e que dispõe de três semanas para concluir o processo de reestruturação e de legalização das academias, que funcionam à margem da lei, e criar as condições para a eleição dos novos órgãos sociais.
Em declarações ao NG, o coordenador da comissão de gestão referiu que planeia convocar, nos próximos dias, uma reunião extraordinária e definir a população votante, iniciativa condicionada pela falta de dados de 2016 e 2017. Makuntina Baptista queixa-se da falta de financiamento para custear as despesas de deslocação para as províncias mais próximas de Luanda no sentido de averiguar o número de academias e clubes. “Já escrevi uma carta ao Ministério da Juventude e Desportos, mas não responderam.”

ORIGEM DO PROBLEMA

Makuntina Baptista revela que a origem da impugnação das eleições da FAJUJ reside no facto de aparecerem duas listas, uma do estilo brasileiro e outra tradicional. Alega-se também que, durante a votação, houve participação ilegal nas eleições que culminou com a vitória de Nzuzi Ndombaxi. Para ultrapassar a ‘maka’, o coordenador assegura que vai trabalhar apenas para uma única lista, uma vez que as academias estão dentro dos clubes e urge a necessidade de saber a sua legalidade. Igualmente apela aos fazedores de jiu-jitsu dos dois estilos e aos responsáveis das academias que se legalizem junto da Comissão de Gestão para a união da classe. “Estamos a trabalhar para acabar com isto”, afirma.
O Jiu-jitsu tradicional ganhou corpo em Angola a partir dos anos 1990, com o aparecimento de várias academias, com destaque para a CAFAMA (Centro Angolano de Formação de Artes Marciais). Actualmente, estão inscritos na FAJUJ mais de cinco mil atletas. A versão brasileira foi implementada em Angola, em 2006, pelo mestre Sérgio Vieira.

Empates na FADEN

Após dois empates consecutivos nas eleições da Federação Angolana dos Desportos Náuticos (FADEN), realizadas em Março, no ginásio do Clube Naval da Ilha de Luanda, os candidatos das listas A e B, Diamantino Leitão e o aspirante ao cargo Laércio Cândido, continuam sem chegar a um consenso e a navegar em ‘águas turvas’ e turbulentas, sob olhar atento dos clubes e amantes da modalidade. Mesmo com a mediação de António Gomes, director nacional para a Política do Desporto do Ministério da Juventude e Desportos, os dois recusaram partir para uma lista única e o prazo para repor a legalidade na FADEN terminou em Abril. O presidente cessante, Diamantino Leitão, defende ser a pessoa “certa” para conduzir a bom porto os desportos náuticos. Por sua vez, Mateus Afonso, mandatário de Laércio Cândido, em declarações ao NG, defende a injecção de ‘sangue novo’ por ter “programas inovadores. “O futuro da modalidade está na nossa lista”, assegura.
A FADEN foi fundada em 2008, com Rui Sancho a presidir ao primeiro elenco deste órgão. O Petro de Luanda, 1.º de Agosto, Clube Náutico e Naval foram os únicos clubes que votaram.
Por conter apenas quatro pessoas colectivas na população votante, o advogado desportivo Egas Viegas entende que devia existir forma de desempate durante o processo eleitoral. O jurista entende que se devia convocar novamente uma assembleia de sócios para se refazer o regulamento eleitoral e escolher mais um clube ou pessoal individual para o desempate durante a votação. No quadro das eleições para completar o ciclo olímpico de quatro anos, o Comité Olímpico Angolano (COA) foi a última instituição desportiva a realizar eleições, com lista única e Gustavo Silva foi reeleito, no passado sábado, para mais um mandato de quatro anos.

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