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Paulo Magueijo, vice-presidente para o futebol do 1.º de Agosto

“Qualquer jogador assinaria connosco”

Por Raimundo Ngunza  /  Foto Manuel Tomás

O vice-presidente para o futebol do 1.º de Agosto aborda com o NG vários aspectos relativos ao clube e ao Girabola. Paulo Magueijo nega, por exemplo, existirem problemas de contratos com atletas e critica a forma como se processam as transferências de jogadores angolanos para clubes europeus.
Ele não tem meias palavras: qualquer futebolista em Angola gostaria de assinar pelo 1º de Agosto, incluindo aqueles em final de contrato no clube militar e que desejam renovar. Em entrevista ao NG, Paulo Jorge Magueijo socorre-se da crise económica e financeira no país para justificar a situação contratual do plantel. “É um assunto meramente administrativo que vamos resolvendo. Vivemos as consequências da baixa do preço do petróleo.”
O dirigente desportivo não confirma, nem desmente, uma possível saída de Geraldo e de Dominique, mas nota que o clube está a fazer ‘ginástica’ para honrar os compromissos firmados com os dois atletas, assim como com a equipa técnica. Magueijo afasta problemas com o avançado Geraldo, que esteve recentemente no Brasil para tratar de uma lesão. “Ele está muito feliz no clube”, enfatiza. Sobre a ausência do guarda-redes António Signori Dominique, assegura que também está tudo em ordem, referindo que a ausência do atleta angolano, nascido na Suíça, se deve a trabalhos de recuperação de uma lesão. Assegura que o mesmo regressa a Angola “nos próximos dias”.

VALORIZAR OS MELHORES

Os ´militares´ contrataram recentemente o técnico Miller Gomes para coordenar o recém-criado gabinete de ´scouting´, responsável pela gestão da base de dados e da informação do clube. Paulo Magueijo acredita que a decisão vai valorizar o futebol de formação e proteger os jogadores recém-formados. A intenção, sublinha, é “evitar desperdiçar valores”.
O interlocutor do NG considera preocupante o surgimento de vários agentes desportivos e a “contínua tendência de descredibilizar o campeonato nacional”. Sem fundamentar, aponta a necessidade de se valorizar e garantir a qualidade do Girabola, optando-se pelos melhores atletas. “Não nos devemos preocupar apenas em vender jogadores.”
Formado em Relações Internacionais e com um mestrado em Negociação de Conflitos, o número dois para o futebol ´castrense´ insurge-se contra a transferência de jogadores para clubes europeus sem a devida “valorização no mercado de transferências”, alertando para a necessidade daqueles respeitarem o campeonato interno. A solução para isto, aponta, passa por um trabalho geral e cuidadoso que clubes e agentes desportivos devem empreender.
Com o prazo das inscrições da segunda volta a terminar a 15 deste mês, o braço desportivo das Forças Armadas Angolana (FAA) pondera não contratar jogadores do estrangeiro. Acredita que a prata de casa é suficiente para atender à demanda, devendo-se isto ao trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos anos nas camadas de formação e da segunda equipa. Para Paulo Magueijo, tudo passa por potencia-los e dar-lhes mais oportunidades na equipa principal. “Temos um balneário saudável e uma comunicação boa”, comenta.

REVALIDAR O TÍTULO

Revisitando o desempenho na primeira volta do campeonato nacional, o entrevistado observa que o clube não olha pelas individualidades, mas para o trabalho em grupo para a revalidação do Girabola.
Magueijo aponta a saúde do plantel e a organização defensiva como o principal pilar, mas destaca, também, a melhoria do ataque ao longo da competição. Prevê uma segunda volta difícil, tal como no campeonato passado, mas está confiante no sucesso do clube no desfecho do mesmo. “Vamos fazer uma segunda volta melhor.”
Em 15 jornadas da primeira volta, o 1.º Agosto é o segundo classificado, com 33 pontos, fruto de 10 vitórias, três empates, 24 golos marcados, sete sofridos e duas derrotas, estando a um ponto do líder, Petro de Luanda

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