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João Lourenço, duas entrevistas e o destino de Isaac Dos Anjos

Por Miguel Daniel   /  Foto D.R

O destino do irreverente Isaac dos Anjos terá ficado traçado quando, em tempo recorde, fez declarações inéditas a duas estações de rádios que caíram muito mal entre os camaradas. Fontes do partido referem que o anúncio apenas dependia do regresso do Presidente da Republica ao país.

Os ‘anjos do mal’ terão tomado conta de Isaac em Benguela. Fontes do MPLA disseram ao NG que o também primeiro secretário do partido era “desdenhado” pela fraca capacidade de mobilização e o facto de ter proferido declarações contra o actual candidato.
Segundo as fontes, entre as críticas, que rapidamente mereceram análise no MPLA, estão declarações que o engenheiro agrónomo fez à Rádio Ecclésia, em Benguela, que foram interpretadas como pouco simpáticas à figura de João Lourenço. Na entrevista, dos Anjos admitiu que a actual Constituição da Republica foi elaborada “pensando numa única pessoa”, prognosticando que o vencedor das eleições de Agosto pudesse propor um “referendo” para a sua alteração.
“O camarada João Lourenço é um militante como eu ou outro e que não deve beneficiar dos poderes desta Constituição”, referiu na altura o então governador e chefe do MPLA na terceira praça eleitoral nacional.
A nossa fonte disse ainda que o engenheiro terá interpretado mal o lema “distribuir melhor”, ao privilegiar amigos em projectos e prestação de serviços na província, em detrimento de empresários ligados ao partido.
A saída de Isaac, sublinha, esteve prevista para logo a seguir ao último congresso do partido. Foi protelada, mas a apresentação, nos próximos dias, do candidato João Lourenço na província, tornou inevitável a exoneração.
A fonte do NG adianta que outras exonerações estarão na forja. O veterano Kundy Paihama, governador do Cunene, abandonou uma sessão do último congresso do partido quando soube da indicação de João Lourenço para seu candidato.
No início de Junho, dos Anjos disse ao programa da Voz América Angola Fala Só que os mandatos dos governadores terminam com a legislatura, respondendo a rumores sobre uma possível exoneração sua devido às primeiras declarações à estação católica.
A dispensa do antigo governador e sua substituição por Rui Falcão deve alterar a composição das listas dos círculos províncias de Benguela e do Namibe, pois ambos eram os respetivos cabeças-de-listas.
Num outro despacho, o Presidente da República nomeou para governador do Namibe um quadro local especialista em ciências sociais: Carlos da Rocha Cruz, que é actualmente deputado, e já foi segundo secretário provincial do MPLA.
A instabilidade crescente na RDC é apontada como factor principal para a nomeação de José João Manuel naquele país. Emílio José de Carvalho Guerra transfere-se da RDC para a Sérvia. Augusto da Silva Cunha, antigo comandante da Marinha de Guerra Nacional, é novo embaixador no Ghana.

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