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Em Massangano, Kwanza-Norte

Peixe do laboratório à venda este mês

Por André Kivuandinga   /  Foto Mário Mujetes

Perto de 10 toneladas de peixe de laboratório poderão ser comercializadas este mês pelo centro de larvicultura de Massangano, no Kwanza-Norte. Afecto ao Ministério das Pescas, o centro, que iniciou com a produção de dois milhões de alevinos, produz apenas 300 toneladas e carece de rações.
O centro de larvicultura da Tilápia do Massangano, no Kwanza-Norte, poderá colocar à venda, nos armazéns da empresa Edipescas, ainda este mês, perto de 10 toneladas de peixe criados através do processo de aquicultura.
O centro, construído para produzir dois milhões de alevinos (peixinhos) por ano e 300 toneladas de peixe pronto para o consumo humano, está a produzir apenas 300 mil alevinos, sendo que, para a entrega, estão prontos apenas 121 mil. A redução, segundo o director do centro, Evaristo Manuel Lourenço, deve-se, por um lado, à “fraca procura” e, por outro, ao facto de alguns alevinos não poderem ser entregues aos criadores por estarem já com 100 gramas, devendo, por isso, ser encaminhados para os tanques da engorda para atingirem 350 gramas, peso “adequado” para o consumo.
Para alcançarem a produção de dois milhões de alevinos por ano, de acordo com o responsável, foram elaboradas “algumas estratégias” que passam pela “existência de bons reprodutores e técnicas de reversão sexual na fase inicial da criação”. A estratégia inclui a produção de alevinos em qualquer época do ano, a promoção da investigação científica, além da produção e fornecimento de rações.
Este é o primeiro centro de larvicultura da Tilápia de Angola, construído com o objectivo de produzir “grandes quantidades” de alevinos e contribuir para o fomento da aquicultura em Angola, actividade que, segundo Lourenço, pode ajudar no combate à fome e à pobreza, e criar novas oportunidades de empregos.
O centro possui uma fábrica de rações que, entretanto, não está em funcionamento devido à “falta de técnicos”. O arranque da fábrica, que pode acontecer ainda este ano, está dependente da contratação de um técnico para dar formação aos funcionários.
Em relação a dificuldades, além da escassez de rações, o director do centro aponta os contrangimentos no transporte dos alevinos para os vários pontos do país, após a solicitação dos peixes pelos aquicultores, uma vez que o centro conta apenas com uma viatura.

OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO
O centro de larvicultura da Tilápia do Massangano está aberto a pessoas interessadas em criar peixes e predispõe-se a prestar assistência técnica e a fornecer alevinos e rações. O interessado deve apenas solicitar a legalização ao Ministério das Pescas que, por sua vez, indica técnicos do centro para a verificação das condições do local e das quantidades de alevinos necessárias para cada tanque.
O especialista em reprodução e engorda de peixes Severino Tchinakossogue Tchinakucongo explica que cada macho só pode fecundar três fêmeas e vai para o descanso de 15 dias. “Os machos e fêmeas são separados e, quando se aproxima a fase de acasalamento, são novamente colocados nos mesmos tanques”, esclarece, referindo que a separação ocorre também quando os peixes ganham uma biomassa diferente para que “não sufoquem os outros nos tanques”. Cada tanque tem 600 metros cúbicos e, à medida que os peixes engordam, o espaço torna-se pequeno.
O centro foi criado para produzir apenas Tilápia, vulgo cacusso, e, desde Abril deste ano, está a experimentar-se a criação do bagre. A previsão é que, em Março de 2018, se produzam cerca de 10 toneladas de bagre.

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