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Evaristo Mulaza

Viagem de cinco anos

Ontem foi um dia memorável para o Nova Gazeta. O suficiente para este espaço, perante vários assuntos de interesse nacional, ser reclamado hoje por uma viagem de autoconsumo, com duração de cinco anos. Foi a 21 de Junho de 2012 que este jornal chegou, pela primeira vez, às mãos dos angolanos. E, como já tivemos oportunidade de o confidenciar algumas vezes, o nascimento foi tudo menos fácil. Mas é importante que se escreva que não se tratou de dificuldades comuns, as tais típicas de projectos de comunicação social em fases de nascimento e iniciação. Como o entrosamento de equipas, a abertura de fontes e a receptividade dos anunciantes, entre outras. Na altura, o ‘pecado’ capital do NG foi simplesmente ter nascido à porta das eleições. O que, para as vozes aprioristicamente críticas e cépticas, não havia dúvidas em como este jornal seria mais um panfleto de propaganda partidária. Mas, mais do que isso, a certeza dessas mesmas vozes em como o NG desapareceria após a oficialização dos resultados eleitorais. É claro que, conscientes do sentido de missão e do desígnio transformacional que justificou o jornal, não nos podia ter ocorrido melhor resposta senão o trabalho. Optámos, declaradamente pelo silêncio, no entendimento de que apenas as páginas que preencheriam o jornal todas as semanas constituiriam o nosso melhor advogado. E foi o que aconteceu. Semana pós semana, o NG mergulhou nas matérias que realmente interessam e deu o país a ler os factos sem a manipulação criminosa do jornalista, muito menos o hipotético enviusamento ideológico-partidário que lhe adivinharam à nascença. Deu voz aos protagonistas, a todos, e colocou a palavra destes na linha da frente, respeitando o espaço para o julgamento do leitor que muitos jornais reclamam para si com insolência. O contraditório e a imparcialidade, catalogados hoje em muitas redacções como ancestrais de um jornalismo indesejado, aqui transformaram-se numa verdadeira forma de estar, particularmente no ‘sensível’ espaço político. Nestes cinco anos de ‘aventura’, entre os protagonistas relevantes, da política à cultura, só não teve espaço no NG quem declinou responder a convites. Ou quem, por razões compreensíveis, não tenha, até ao momento, escalado a nossa pauta semanal. É por isso que hoje não temos qualquer dúvida de que o reconhecimento diário que nos chega dos nossos leitores e de instituições relevantes que fiscalizam o trabalho dos jornalistas é uma homenagem sincera à isenção e ao respeito do código ético-deontológico. Mas simultaneamente ao rigor, ao profissionalismo e à qualidade.
Teixeira Cândido, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), fez questão de no-lo recordar na última semana. Fez questão de nos lembrar, em visita de cortesia à nossa redacção, que o Sindicato não perde uma oportunidade para referir publicamente as qualidades do Nova Gazeta. Da nossa parte, claro, Teixeira Cândido não podia ter recebido outra garantia, senão a reafirmação do único compromisso na agenda do NG, a causa do jornalismo.
É esse pacto selado com os leitores que voltamos a reafirmar cinco anos depois do primeiro NG, agora que, por ironia, nos encontramos novamente à porta das eleições e numa conjuntura geral ainda mais incerta e adversa do que foi em 2012.
O que sobra para o futuro são, naturalmente, desafios. Convictos da ‘absolvição’ do julgamento precipitado a que certas vozes nos submeteram logo à nascença, não deixamos de estar conscientes de que ainda não atravessamos sequer a primeira infância. Por isso, o caminho que se deseja longo continuará a exigir esse exercício de verdadeira intermediação, enquanto ferramenta indispensável ao equilíbrio dos poderes e à garantia da justiça. Os nossos leitores podem continuar a contar com isso – com a verdadeira intermediação jornalística – no NG, porque, para nós, as regras e a causa a que nos propusemos são imutáveis.

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