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Simão Coxe ‘Languinha Simão’, treinador da selecção de sub-17

“Não me sinto socialmente realizado”

Por Raimundo Ngunza

Simão Coxe José, mais conhecido por ‘Languinha Simão’, tentou jogar futebol na Paviterra FC, sem sucesso, mas, em 1994, criou uma equipa de futebol feminino. É quadro da Federação Angolana de Futebol (FAF) desde 2008 e actual seleccionador dos sub-17, tendo um contrato até Dezembro deste ano. Diz que não se sente realizado socialmente por falta de residência. Com 12 meses de salários em atraso, circula pela cidade de táxi para ver e pesquisar novos jogadores e não descarta abraçar outros projectos no futuro.

Aos 42 anos, o treinador da selecção de sub-17, Simão Coxe ‘Languinha Simão’, revela que o cargo de seleccionador nacional não lhe deu riqueza, mas apenas projecção e prestígio. Considera que é bem tratado e acarinhando por onde passa e sente que as pessoas estão do seu lado e da equipa técnica.
Conta que não se sente realizado socialmente, estando actualmente a necessitar de uma habitação e um meio de transporte que, segundo desabafa, facilitaria as deslocações que faz, até ao momento, de táxi para ver os jogos e para fazer trabalho de prospecção de atletas.
“Como seleccionador, a minha missão é andar pelo país de campo em campo para acompanhar a evolução dos jogadores, saber como treinam, falar com os treinadores e obter toda a informação que vai culminar com a convocação do atleta”, justifica. ‘Languinha Simão’ alega que o salário que aufere não é compatível com as suas reais necessidades, lamentando o facto de, aliado a este quadro, haver ainda atrasos na remuneração, situação que condiciona ainda mais os projectos pessoais. Sobre este particular, afirma que a antiga direcção de Pedro Neto, à frente da Federação Angolana de Futebol (FAF), tem até hoje uma dívida por saldar referente a 12 meses de atrasos do seu salário, situação que espera venha a ser resolvida pela actual direcção da FAF.
Nascido um mês antes da Independência Nacional, como atleta, tentou jogar futebol na Paviterra FC em 1990, treinado na altura por Oliveira Gonçalves, antigo seleccionador dos Palancas Negras, mas não teve sucesso, tendo a distância o obrigado a abandonar a carreira de futebolista mais tarde. Em 1994, surge-lhe o primeiro desafio de criar e orientar uma equipa de futebol feminino, o que prontamente aceitou. Sem experiência, teve de recorrer à ajuda de amigos, como o falecido Deodato, para algumas aulas sobre o treinamento desportivo. Um ano depois, faz o primeiro curso intensivo de treinador de futebol com o malogrado Carlos Alinho na antiga sede da Federação Angolana de Futebol, na Cidadela Desportiva. Com as outras formações, ‘Languinha Simão’ foi ganhando experiência até aceitar o convite para orientar o Mabo FC e o Grupo Desportivo da Terra Nova, todos em futebol feminino. Em masculino, treinou os escalões de iniciados, juvenis e juniores do Polivalentes FC.

ENTRADA NAS SELECÇÕES
É quadro da FAF desde 2008, quando foi convidado para ser adjunto da selecção feminina, cargo que assumiu até 2011. Mais tarde, muda para a selecção sub-16 em masculino que, na altura, era uma das participantes do torneio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que teve lugar em Portugal, em 2012. No mesmo ano, é indicado como adjunto de André Nzuzi, na selecção de sub-20, participando no torneio da FESA.
‘Languinha Simão’ trabalhou, no passado, com Justino Fernandes, Pedro Neto e agora com Artur Almeida. Entende que Justino Fernandes realizou um trabalho “excelente” que culminou com o apuramento ao Mundial, em 2006, na Alemanha e várias participações em campeonatos africanos.
Por outro lado, considera que Pedro Neto fez um trabalho “excelente” em contexto diferente, em que a crise financeira tomou conta dos seus projectos. Já em relação a Artur Almeida, diz que, embora com bons projectos, herdou uma federação “com muitos problemas”, derivado da crise financeira e que pode ser um entrave para implementação do seu programa.

EXIGÊNCIAS DE SER SELECCIONADOR
Fruto do trabalho feito na selecção nacional e sem revelar os nomes de clubes, assegura que teve conversas com algumas individualidades na eventualidade de abraçar outros projectos, mas sublinha que tem um vínculo contratual com a federação que termina em Dezembro deste ano.
De acordo com o treinador, não é fácil orientar uma selecção, devido às exigências dos adeptos. Diz que um dos ‘segredos’ para se manter ‘vitorioso’ é ter muita concentração, profissionalismo, seriedade e autodidactismo para aperfeiçoar os conhecimentos desportivos e, se possível, dar a vida pelo país. “Gosto de grandes desafios”, confessa.

FUTEBOL FEMININO
Sobre o futebol feminino, considera que se encontra “vivo”, mas falta apoio para o seu desenvolvimento, situação que é agravada pela existência de um grande défice na continuidade dos trabalhos dos treinadores.
‘Languinha’ conta que muitos treinadores, ligados a este sector, passaram para o masculino à procura de melhores condições de trabalho e de vida. O seleccionador de sub-17 louva o trabalho de massificação que está a ser desenvolvido por Irene Gonçalves, antiga capitã da selecção nacional, mas entende que não basta e que deve haver mais apoios e outras iniciativas dos clubes para se voltar aos anos dourados deste escalão que considera estar actualmente “entregue à deriva”.

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