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Agostinho Mendes de Carvalho ou ‘Uanhenga Xitu’

Angola chora o político e o escritor

Por Adriano Adão*

Uanhenga Xitu é pseudónimo literário de Agostinho André Mendes de Carvalho. Foi um dos escritores angolanos mais originais e carismáticos. As suas obras literárias foram, nos últimos anos, objecto de estudos científicos e homenagens, não só em território angolano como noutros países. Deixou obra na literatura e na política que provocou uma onda de comoção no país. Contador de ‘estórias’ populares, ‘transformou-se’ em Uanhenga Xitu, para dar corpo à sua veia literária. Escreveu nove livros que se destacam pela preocupação de dar voz ao povo, realçando os seus costumes  e vivências. A vida na sanzala transformou-o num homem solidário e interessado nas necessidades humanas. Numa entrevista, Uanhenga Xitu, afirmou que “o que me preocupa é a situação social do povo”. 

 

Em 2006, recebe a distinção do Prémio de Cultura e Artes na categoria de literatura pela qualidade do conjunto da sua obra literária, causando-lhe uma “enorme surpresa”. Sendo assim, o homenageado e escritor angolano entrou na lista dos melhores autores da história literária angolana.

 

A vida política 

 

Foi enfermeiro e exerceu, clandestinamente, actividade política, lutando pela independência de Angola. Preso pela PIDE (polícia política do tempo colonial) no seguimento de uma detenção no aeroporto de Luanda, em 1959, chegou a ser julgado pelo Tribunal Militar e condenado a 12 anos de prisão maior, além das medidas de segurança de seis meses a três anos prorrogáveis e perda de direitos políticos por 15 anos. Esteve no ‘furacão’ do 4 de Fevereiro de 1961. Era um dos presos que deveriam ser libertados, à força, nessa noite. Fez parte do chamado ‘Processo dos 50’ e enviado para o Tarrafal, campo de concentração em Cabo Verde, onde permaneceu entre 1962 a 1970. Na prisão começou a escrever as suas histórias.  Em liberdade, manteve a sua actividade política e depois de alcançada a independência de Angola, exerceu as funções de ministro da Saúde, comissário provincial de Luanda e embaixador de Angola na Alemanha. Em meados da década de 1980, chegou ter conversas com altos dirigentes da UNITA, tentando alcançar um acordo de paz. Foi também embaixador de Angola na ex-República Democrática Alemã e deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA. Mas isso nunca o impediu de criticar o próprio MPLA e o Governo quando sentia que se estavam cometer injustiças. Ganhou prestígio em todos os quadrantes da vida política. 

 

*com agências

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