PT
Evaristo Mulaza
Director Geral
Jejum espiritual

O Banco Nacional de Angola (BNA) tem um novo governador, desde sexta-feira última. É jovem, a caminho dos 42 anos. Chama-se Valter Filipe e é jurista. A informação disponível sobre o novel responsável do banco central identifica-o essencialmente como académico, assessor e consultor. E a referência mais importante que o relaciona com as questões financeiras e bancárias, e mais especificamente com a governação e o papel do banco central, é a sua tese de mestrado. A surpresa com que se encara a sua nomeação explica-se precisamente por esse detalhe. Ou seja, pelo seu ‘curriculum’. Mais na perspectiva da sua experiência de trabalho do que propriamente da sua formação académica. Afinal não é a primeira vez que o banco central é governado por um jurista. Aguinaldo Jaime é dos ex-governadores do BNA mais referenciados e, à semelhança de Valter Filipe, é formado em Direito. Mas, em termos de folha de serviço, há diferenças relevantes entre os dois à chegada ao banco central. Aguinaldo Jaime, ao contrário de Valter Filipe, chegou ao BNA, depois de ter sido ministro das Finanças e presidente o Banco Africano (hoje Angolano) de Investimentos. Áreas estreitamente relacionadas com o espaço de intervenção do banco central.

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Emídio Fernando
Editor Executivo
OPINIÃO
Resignação

Os retratos que Angola nos oferece têm, por demasiadas vezes, imagens aterradoras, mas que dão a perfeita noção do significado de incúria e insensibilidade. Pela segunda vez, em menos de um ano, o Hospital Pediátrico do Sumbe ficou inundado de tal forma que obrigou à evacuação dos doentes. O que significa que, desde as chuvadas anteriores, nada foi feito. Mais criticável é o facto de o mesmo hospital ter sido construído numa zona vulnerável às cheias. Sem que se tivesse o cuidado, por exemplo, de arranjar condições, antes de se montar o equipamento. Quando as cheias acontecem nos musseques, em bairros degradados, não faltam autoridades provinciais e municipais a criticar os moradores por terem construído em locais perigosos. À toa, diz-se. Desta vez, não se ouvem as mesmas críticas. Verdadeiramente à toa foi a construção e a escolha do local para se instalar um hospital. Na Huíla, morreram mais de 30 pessoas, vítimas de enxurradas – é um dos pontos de investigação – que poderiam ter sido provocadas pelo rebentamento de um dique. Só que esse dique existe há 40 anos, estava numa fazenda abandonada por um antigo proprietário sul-africano. Até hoje, ninguém mexeu uma palha, ninguém preveniu que um dia a desgraça poderia se abater. Eis o resultado. É também uma gestão feita ‘à toa’, sem capacidade de prevenir.

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Geralda Embaló
Directora Geral Adjunta
OPINIÃO
E agora pergunto eu…

A semana que passou foi recheada de acontecimentos.Uns menos interessantes, como a brejeirice de casais que se resolveram substituir às novelas mexicanas com que a nossa TV tanto insiste em desperdiçar emissão, acusando-se de traições, negando paternidades (Freddy vs Yola) e publicando acusações de seropositividade (Bento Bento vs ex), e outros melhores que nada, como o comunicado de Manuel Vicente em defesa da sua honra que, quanto mais não seja, demonstra preocupação com sossegar a opinião pública. Tivemos outros acontecimentos mais interessantes como as arrojadas declarações do líder da ‘jota’ no covil das mamãs da OMA, “critiquem-nos menos, ajudem-nos mais”. Luther Rescova manteve a humildade, mas foi incisivo, assertivo e falou no fórum apropriado que é o que a maioria dos nossos políticos tende a não fazer, optando por conversas de corredor muitas vezes sem resultados. A geração de jovens, que é tão criticada pelos mais velhos, foi criada por eles e só com compreensão e entreajuda podemos melhorar. Esteve bem, políticos jovens com coragem precisam-se. Por falar em políticos jovens, e apesar de ser apologista do investimento em novos valores, houve acontecimentos que só podem meter medo. Muito medo mesmo, como a nomeação de um jurista para governador do BNA, que não tem grande histórico de banca e que talvez, graças ao passado seminarista, nos pede para “rezar pela economia” nacional. Será a esperança de que a beatice iniba o apelo à corrupção inerente à cadeira que vai ocupar ou o facto de ter corrido mal com todos os economistas que o antecederam que leva à vontade de experimentar novas e curiosas receitas em tempo de crise? Como o desempenho é o que conta, a ver vamos. Aconteceu também o Festival de Sons do Atlântico que reuniu milhares de jovens e que me possibilitou ver, pela primeira vez, um ídolo da adolescência, Gabriel, o Pensador.

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FRASES
“Apesar deste meu ar de durona, sou muito sensível. Choco-me muito com a vida e os problemas de outras pessoas”.
Albina de Assis, consultora do Presidente da República para assuntos regionais

“As angolana estão mais poderosas, determinadas e independentes”.


Leila Lopes, Miss Universo 2011.
“Se dermos tudo à parte profissional, não temos as coisas boas da parte profissional. E é tão bom chegar a casa e termos a nossa família à espera”.
Solange Hilário, cantora

“Cresci nos musseques, a minha vida foi feita nos bairros, mas tenho uma educação boa e acho que a base de todo o ser humano está no amor, mas sobretudo no amor com respeito”.


Yuri da Cunha, músico
“O legislador pecou por excesso na Lei de Bases das Associações Públicas na medida em que foi regulando um conjunto de aspectos, que, por via desse excesso de zelo, acabou por conter com princípios de independência e com princípios de autonomia”.
Hermenegildo Cachimbombo Bastonário da Ordem dos Advogados de Angola

“Queremos trabalho para vencer os desafios, como o desbravamento e cultivo das terras, só assim estaremos a contribuir para os programas de combate à fome e à pobreza no seio das famílias, sobretudo nas zonas rurais”.


Álvaro de Boavida Neto, governador do Bié

“Faço o que me vai na alma. Tento explorar ao máximo o meu potencial criativo, ao mesmo tempo que tento motivar e apelar à imaginação do público. O papel do artista também é esse”.
Coreon Dú, músico


Coreon Dú, músico